Relator da PEC da Segurança aposta em diálogo 'respeitoso' com novo ministro da Justiça

Relator da PEC da Segurança aposta em diálogo 'respeitoso' com novo ministro da Justiça

Relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública na Câmara, o deputado federal Mendonça Filho (União-PE) afirmou que espera manter com o novo ministro da Justiça, o ex-advogado-geral da Petrobras Wellington César Lima e Silva, o mesmo espaço de diálogo "amistoso e respeitoso" que marcou a relação com o ex-titular da pasta, Ricardo Lewandowski. O parlamentar disse ainda confiar que o governo seguirá aberto a aprimorar o texto construído no Congresso.

Segundo Mendonça Filho, embora tenham existido divergências ao longo da tramitação, o período de Lewandowski no comando do ministério foi caracterizado por uma postura de diálogo. Para o relator, o novo ministro, por ter atuado como promotor e procurador de Justiça, reúne condições técnicas para contribuir com o debate e ajudar a aperfeiçoar a proposta dentro do que chamou de "média do pensamento do Parlamento".

"Espero que se mantenha o mesmo espaço de diálogo que houve durante o período do ministro Lewandowski. Aqui e acolá a gente tinha posições divergentes, mas sempre houve uma relação de busca de construção de saída pelo diálogo", afirmou.

O deputado disse que o substitutivo apresentado em dezembro prevê um enfrentamento mais "ousado" ao crime organizado. Entre os pontos destacados estão medidas mais duras contra facções criminosas e restrições à progressão de regime a integrantes desses grupos.

Segundo ele, o texto é resultado de um amplo processo de discussão que envolveu operadores da área de segurança pública, especialistas, o governo federal e representantes dos estados, incluindo a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal e forças estaduais. O relator acrescentou que chegou a retirar do texto trechos que tratavam do Sistema Brasileiro de Inteligência, a pedido de Lewandowski.

Apesar do diálogo mantido até agora, Mendonça Filho afirmou que ainda desconhece qual é a posição oficial do governo sobre a versão final da proposta. Segundo ele, houve inclusive divergências internas no próprio Executivo em relação ao substitutivo.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou nesta terça-feira, 13, declarações do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), segundo as quais seria melhor o Congresso nem votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública caso o texto fosse desfigurado. Gleisi afirmou que a PEC da Segurança é prioridade do governo.

Para o deputado, o Parlamento tem legitimidade para conduzir o debate e construir o texto de forma colegiada. Ele ressaltou que a PEC é uma prioridade do presidente da Câmara, Hugo Motta. "Ninguém quer uma proposta cosmética ou superficial. A sociedade quer algo consistente, duro, que enfrente o grave problema da violência", disse.

O relator afirmou ainda ter a percepção de que hoje a maior parte da população é favorável ao conteúdo do substitutivo, embora pontos específicos possam ser alterados ao longo da tramitação.

Com a retomada dos trabalhos legislativos, ele pretende iniciar uma nova rodada de apresentações às bancadas. "Vou fazer um road show de apresentação às bancadas. Se houver necessidade de alteração, a gente altera; se não, a gente avança e coloca em votação", afirmou.

Mendonça Filho também rebateu críticas de que a PEC revogaria ou esvaziaria o papel da União. "A lei federal do SUSP permanece em vigor e o meu substitutivo não altera nada em relação a isso. Pelo contrário, busca mais integração e cooperação", disse.

Em dezembro, o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, afirmou que o relatório da PEC da Segurança Pública esvaziava o papel da União no combate ao crime organizado.

O relator, por sua vez, defendeu maior protagonismo dos estados, das polícias estaduais e dos Ministérios Públicos locais. "Não dá para imaginar que de Brasília você vai comandar a operação policial. Estamos falando de um país continental, com milhares de municípios, polícias civis, militares, penais e grupos como os Gaecos dos Ministérios Públicos estaduais atuando diretamente no combate ao crime organizado. Não dá para centralizar, mas isso não impede maior cooperação", afirmou.

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