Servidores públicos cobram reajustes salariais das gestões de Evandro e Elmano

Para 2026, servidores municipais pedem reajuste de 12,4%; enquanto servidores estaduais reivindicam reajuste de 7,74%

07:00 | Jan. 12, 2026

Por: Mariana Lopes
MANIFESTAÇÃO está marcada para esta segunda no Paço Municipal (foto: JÚLIO CAESAR)

As campanhas salariais de 2026 estão em andamento para os servidores públicos da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado. O funcionalismo municipal tem ato público marcado para esta segunda-feira, 12, no Paço Municipal, em razão do não cumprimento da data-base da categoria, fixada em 1º de janeiro, e da ausência de proposta de reajuste salarial por parte da gestão Evandro Leitão (PT). A categoria pede o reajuste geral de 12,4% a partir de janeiro de 2026.

No âmbito estadual, representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual do Ceará (Mova-se) também definiram agenda de mobilização para reivindicar reajuste de 7,74%. A primeira mobilização está prevista para o retorno dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), no começo de fevereiro.

O ato no Paço Municipal foi definido em reunião do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos do Município de Fortaleza (Sindifort) com as demais entidades que integram a Frente Sindical das Entidades Representativas dos Servidores e Empregados Públicos Municipais de Fortaleza (Fersep-For), realizada na quarta-feira, 7 de janeiro. 

Augusto Monteiro, secretário-geral do Sindifort, expôs o descontentamento da categoria diante da ausência de propostas de reajuste. “É uma retomada da mobilização da campanha salarial 2026, tendo em vista que a data-base é 1º de janeiro, mas até agora não teve nenhum anúncio de reajuste e nem há, por parte da prefeitura, uma sinalização de reunião ou mesa de negociação para a gente poder discutir do reajuste”, disse.

Em resposta ao O POVO, a Secretaria do Planejamento, Orçamento e Gestão (Sepog) informou que “em breve o calendário da Mesa Central será divulgado para dar continuidade às negociações”.

O que os servidores municipais estão reivindicando:

  1. Reajuste salarial: reivindicação de reajuste geral de 12,4% a partir de janeiro de 2026, calculado com base na inflação de 2025, em percentuais não concedidos em anos anteriores e no impacto do aumento da contribuição previdenciária, além do pagamento retroativo dos quatro primeiros meses de 2025 sem correção salarial.
  2. Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): pedido de reestruturação dos planos, considerados defasados há mais de 17 anos, o que, segundo as entidades, tem provocado perdas salariais e prejuízos nas promoções e progressões funcionais.
  3. Benefícios e assistência à saúde: reajuste do auxílio-refeição para R$ 25, com fim do teto salarial para recebimento, e alteração das regras do IPM Saúde, incluindo o fim da limitação de consultas mensais.
  4. Previdência e aposentados: elevação do teto de isenção da contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas, com equiparação aos critérios adotados pelo INSS.
  5. Anuênios atrasados: assinatura de acordo judicial para o pagamento de adicionais por tempo de serviço não quitados, conforme previsto no Estatuto do Servidor, assegurando o reconhecimento do direito acumulado ao longo dos anos.

A primeira movimentação ocorre na segunda, 12, a partir das 8h30min. Além do ato no Paço, o calendário aprovado prevê mobilizações nos dias 17, 24 e 31 de janeiro e em 7 de fevereiro, durante o período de Pré-Carnaval, na Praia de Iracema.

Segundo o sindicato, a pauta de reivindicações da campanha salarial foi protocolada na Prefeitura em 5 de novembro de 2025. A organização destacou que a titular da Sepog, Carolina Monteiro, solicitou prazo até 15 de dezembro para apresentar uma resposta em reunião da Mesa Central de Negociação.

Um dia após o prazo, a Secretaria informou ao O POVO que “continua em estudo uma proposta de reajuste salarial para 2026 e, tão logo seja finalizada, será apresentada às categorias. Conforme a pasta, serão consideradas “as principais pautas de reivindicação colocadas” na mesa de negociação desta segunda, “bem como a saúde fiscal do Município”.

Conforme os sindicatos, não houve retorno na data prevista nem agendamento de novas reuniões em 2026, o que motivou a convocação das mobilizações. “A gente esteve com a Prefeitura em mesa de negociação em dezembro. Mas a partir de dezembro não foi sinalizada uma data em que seria apresentado pela Prefeitura o índice de reajuste salarial, nem o atendimento dos demais pontos da pauta da campanha salarial”, explicou o secretário-geral.

Segundo os sindicatos, a Prefeitura já teria aval dos órgãos de controle interno e da Procuradoria-Geral do Município para firmar o acordo.

Servidores estaduais

Os servidores públicos estaduais definiram atos para fevereiro, com a primeira mobilização marcada para o retorno dos trabalhos na Assembleia Legislativa. O coordenador geral do sindicato, Antônio de Pádua Araújo de Freitas, destacou que o reajuste é a principal pauta abordada pelas entidades no momento.

“Tivemos, no ano passado, ainda duas reuniões na mesa central de negociações. Foi apresentada a proposta de 7,74%. Agora, não tivemos nenhuma resposta do governo e o governo não ainda não se sentou lá no palácio com o governador para dialogar sobre essa questão desse reajuste. Estamos no aguardo”, afirmou Pádua.

Assista também | Vereadora critica reajuste de R$ 18 do piso salarial dos professores ao lado de Bolsonaro de papelão