Após denúncia do MP, Arnon diz que ação não envolve desvio de recursos e teria motivação política

O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou à Justiça o ex-prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra, por suposto crime contra as finanças públicas cometido no fim de sua gestão, em 2020

12:25 | Jan. 12, 2026

Por: Mariana Lopes
José Arnon, ex-deputado federal e ex-prefeito de Juazeiro do Norte. (foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Câmara))

O ex-prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra (PSB), afirmou que a denúncia para apurar supostos crimes contra as finanças públicas que teriam sido praticados em sua gestão, em dezembro de 2020, apresentada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), não envolve desvio de recursos públicos nem irregularidades financeiras. A declaração foi dada em entrevista à rádio O POVO CBN Cariri, na última sexta-feira, 9.

O MPCE denunciou à Justiça o ex-prefeito por suposto crime contra as finanças públicas. De acordo com a investigação do órgão, entre os dias 7 e 30 de dezembro de 2020, Arnon encaminhou à Câmara Municipal projetos de lei aprovados, sancionados e promulgados, em sua maioria, ainda naquele mês, sem a realização prévia de estudo de impacto orçamentário-financeiro.

De acordo com a acusação, as análises sobre os efeitos financeiros das medidas só teriam sido realizadas em 2022, já durante o mandato do atual prefeito, Glêdson Bezerra (Podemos). A atual gestão sustenta que as leis aprovadas no fim do mandato de Arnon criaram impactos financeiros para o governo seguinte, classificando-as como “bombas” no orçamento, já que algumas só passaram a valer 120 dias após a sanção.

Sobre isso, Arnon argumentou que a entrada em vigor posterior é um procedimento legal e que não há como uma lei retroagir.

Em entrevista, o ex-gestor afirmou que os projetos diziam respeito à redução da carga horária de psicólogos, profissionais de enfermagem e servidores públicos que possuem familiares com Alzheimer, além da convocação de procuradores municipais. Arnon afirmou que as medidas estavam amparadas por legislação nacional e recomendações do próprio Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Arnon declarou que as contas da gestão foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE) e pela Câmara de Vereadores. Ele reforçou que a denúncia não trata de má aplicação de recursos, mas do encaminhamento, no fim de sua administração, de alguns projetos de lei à Câmara Municipal.

“Não existe desvio de recursos. As nossas contas de gestão de governo foram todas aprovadas”, declarou. Ele também negou que as medidas tenham provocado aumento irresponsável de despesas, destacando que o Município possuía um orçamento próximo de R$ 1 bilhão.

O ex-prefeito atribuiu a denúncia a uma iniciativa da atual gestão municipal, afirmando que haveria uma tentativa de criar fato político contra sua administração. “Na vontade de criar fato novo para envolver possíveis irregularidades, promoveu essa denúncia. Uma denúncia sem fundamento algum”, disse.

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