Políticos acumulam casos de parentes e pessoas próximas presas por tráfico de drogas
Casos envolvem nomes próximos ao ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), da senadora Damares Alves (Republicanos), além do também senador Hamilton Mourão (PL), ex-vice-presidente do Brasil
Glaycon de Oliveira Fernandes, primo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), foi preso após ser flagrado com 30,2 kg de maconha no porta-malas do carro no dia 23 de maio. Na política brasileira, outros personagens acumulam casos em que parentes ou pessoas próximas a políticos conservadores também se envolveram com o tráfico.
No caso de Nikolas Ferreira, que se viu repercutindo em noticiários após o ocorrido, a prisão do familiar, aparentemente, não desgastou a sua imagem, pelo menos não nas redes sociais, espaço no qual circula bem.
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Após o episódio, o deputado se manifestou por meio das redes sociais: “Se qualquer pessoa, seja relacionada a mim de alguma forma ou não, cometer crime, ela tem que pagar por isso. É bem simples”.
Glaycon, primo de primeiro grau do deputado, foi detido em flagrante pela Polícia Federal (PF) durante abordagem, na saída da cidade de Uberlândia, no chamado triângulo mineiro, suspeito de tráfico de drogas.
O deputado também ressaltou que a situação não merece que ele perca tempo sob a justificativa de ser algo que não o envolve. “O que eu vejo é mais uma tentativa frustrada de desgastarem minha imagem. E mais uma vez sem sucesso. Sabe o que essa notícia muda pra pessoas honestas? Nada”, completou.
Filho de Eneas Fernandes (PL), então candidato à prefeitura de Nova Serrana (MG) nas eleições municipais de 2024, Glaycon e um colega receberam a droga em uma padaria de Uberlândia. Segundo o portal Metrópoles, o destino seria Nova Serrana, também em Minas Gerais, na região centro-oeste.
A situação não passou despercebida por outros políticos. A deputada federal Erika Hilton (Psol) usou as redes sociais para destacar que Nikolas fez campanha “intensa nas ruas e nas redes sociais para a tentativa fracassada de eleição de seu tio, também filiado ao PL e pai do traficante”.
A parlamentar questionou: “É essa ‘família’ que Nikolas defende?”. “Será que Nikolas sabia que seu primo era traficante e mesmo assim se envolveu nessa campanha eleitoral?”, indagou.
Ela relembrou, ainda, o caso em que o deputado é réu por publicar, nas redes sociais, um vídeo de uma menina trans de 14 anos usando o banheiro na escola. “Sabemos que o crime não é novidade para Nikolas e que esses ‘valores’ são apenas mentiras eleitoreiras", completa Erika.
Outros casos repercutiram, envolvendo nomes próximos ao ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), da senadora Damares Alves (Republicanos), além do também senador Hamilton Mourão (PL), ex-vice-presidente do Brasil.
Conheça outros casos
Sobrinhos do governador de Roraima
Em maio de 2024, dois sobrinhos do governador de Goiás, Antônio Denarium (Progressistas) foram presos com 145 kg de skank e armas. Os irmãos, identificados como Fabrício de Souza Almeida, 38 anos, e Antonio Olivério Garcia Bispo, 20 anos, foram apreendidos portando um revólver, um fuzil e munições. A prisão foi realizada em operação da Polícia Civil na Zona Oeste de Boa Vista.
O governador Antônio Denarium se manifestou por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo. Não foi levantada suspeita de envolvimento do chefe do Executivo.
Em nota por meio da Secom, o político ressaltou seu posicionamento “contra qualquer tipo de atos ilícitos”. “Ele defende a apuração rigorosa de todos os fatos relacionados ao caso apresentado pela Polícia Civil de Roraima, dentro da legalidade. Caso a investigação confirme a ocorrência de crimes, o governador espera que os responsáveis sejam punidos com o rigor da Lei”, disse o órgão.
Empresa da família do senador Jorge Seif
Em maio de 2024, a Polícia Militar (PM) de Santa Catarina apreendeu 47 kg de haxixe em uma empresa da família do senador bolsonarista Jorge Seif (PL). À época, a PM teria informado que a droga estava na JS Pescados, em Itajaí.
Segundo o portal ICL Notícias, o 12° Batalhão da Polícia Militar de Itajaí identificou que um homem que conduzia uma moto estava realizando uma entrega de drogas. Ainda conforme a corporação, o suspeito teria entrado na empresa JS Pescados e foi abordado logo em seguida.
Ao ser questionado pelos policiais, o homem informou que havia sido contratado para realizar a entrega de 1,9 kg de haxixe a um motoboy, além de ter falado que no galpão continha mais drogas. A PM constatou, no local, quase 48 kg de haxixe, ainda segundo o ICL Notícias.
Igreja liderada por tio da senadora Damares Alves
A senadora Damares Alves (Republicanos) também teve seu nome repercutindo na mídia por um caso envolvendo um familiar. A ex-ministra da Mulher e da Família durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou, por meio de nota, à época, que um avião no qual foram apreendidos 290 kg de maconha em maio de 2023 pertencia à Igreja Quadrangular do Pará.
O tio da senadora e ex-deputado federal, o pastor Josué Bengtson, era o responsável pelo grupo religioso. Ele é um dos responsáveis pelo ingresso de Damares na política.
No texto divulgado por Damares, ela confirma o parentesco com Josué Bengtson e afirma ter tido conhecimento do caso por meio da imprensa. A senadora destacou, ainda, que entrou em contato com a família e foi informada que a denúncia à Polícia Federal foi realizada pela própria igreja.
À época, um suspeito foi capturado pela polícia por tráfico interestadual de drogas. Ele estava no Aeroporto de Belém, na capital do Pará, e tentou fugir durante a operação, mas foi preso em meio à tentativa de fuga.
A igreja disse desconhecer a procedência das drogas, afirmando também que soube da carga após a ação dos agentes federais. A entidade informou que um prestador de serviços havia acessado a aeronave sem permissão no dia anterior. Ele seria responsável pela limpeza do avião.
Assessor do senador Marcos Rogério
Em 2021, um assessor parlamentar do senador Marcos Rogério (PL) foi alvo da Operação Alcance da PF que investigava um esquema de tráfico interestadual de drogas. A ação foi deflagrada nos estados de Rondônia, Ceará, Roraima e Minas Gerais.
O assessor então investigado, Marcelo Guimarães Cortez Leite, foi exonerado do cargo após a operação, conforme afirmou nota divulgada pelo parlamentar. O assessor era lotado no gabinete de Marcos, em Rondônia.
A apuração da PF girou em torno de uma organização criminosa que enviava drogas da região Norte para Fortaleza, no Ceará. O assessor foi alvo também de mandado de busca e apreensão.
De acordo com a Polícia Federal, nenhum indício apontou uma relação entre o esquema e o senador. Além do tráfico de drogas, a investigação indicou um possível esquema de lavagem de dinheiro para esconder a origem de recursos financeiros oriundos da venda de cocaína.
A investigação apontou que a organização criminosa era dividida em dois núcleos, um era responsável pelo tráfico de drogas do Norte para o Ceará e o outro realizava a lavagem do dinheiro ilícito.
Comitiva presidencial no governo Bolsonaro
Durante o governo de Jair Bolsonaro, o sargento Manoel Silva Rodrigues foi preso em flagrante por tentar entrar com 39 kg de cocaína na Espanha em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) em voo da comitiva do ex-presidente.
A aeronave oficial integrava o voo que transportava a equipe presidencial para a reunião de cúpula do G20, no Japão, em 2019. Na ocasião, Bolsonaro se manifestou por meio das redes sociais e tratou o episódio como “inaceitável”.
Grande defensor dos militares como régua moral, o ex-presidente compartilhou: “Apesar de não ter relação com a minha equipe, o episódio de ontem ocorrido na Espanha é inaceitável. Exigi investigação imediata e punição severa ao responsável pelo material entorpecente encontrado no avião da FAB”.
Na ocasião, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, também se pronunciou. “É óbvio que, pela quantidade de droga que ele estava levando, que não comprou na esquina e levou, né? Ele estava trabalhando como uma mula. Uma mula qualificada”, disse Mourão à Rádio Gaúcha.
Em 2021, a Justiça Militar ordenou a prisão de outros três militares e da esposa do sargento pelo caso de tráfico de entorpecentes. Os alvos foram: o tenente-coronel Alexandre Augusto Piovesan; o sargento Márcio Gonçalves de Almeida; o sargento Jorge Luis da Cruz Silva; além de Wikelaine Nonato Rodrigues — a mulher do sargento Manoel. Um ex-soldado da Aeronáutica também teria sido alvo.
Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos na época. Na ação, foram apreendidos computadores, celulares e documentos.
Mourão recebeu traficante no Palácio do Planalto
Quando exercia o cargo de vice-presidente da República no governo de Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão recebeu no Palácio do Planalto, no dia 9 de março de 2019, o empresário Milton Costantino da Silva, apontado como um dos maiores traficantes do país.
Milton foi preso em 2020 na operação “Enterprise”, deflagrada pela Polícia Federal. Ele foi acusado de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa.
A reunião de Milton com o ex-vice-presidente não constava na agenda oficial, segundo o portal O Dia. A pauta do encontro teria sido o patriotismo no país. Segundo reportagem da Agência Sportlight, um encontro de reservistas do Exército que viria a ocorrer no fim daquele ano em Foz do Iguaçu foi um dos assuntos discutidos.
Agora senador, Mourão recebeu ex-militares após uma longa checagem da vida de cada um dos visitantes, mas a vida dupla de Milton passou despercebida.
Um dos integrantes do encontro, Edson Mezomo, um corretor imobiliário de Foz do Iguaçu (PR), disse à reportagem da agência que o grupo tinha em comum o fato de serem ex-militares e que a pauta os conectava por meio dos encontros da Associação dos Reservistas do Brasil. Ele disse, ainda, que o grupo desconhecia a atividade ilícita de Milton Constantino.
Milton Constantino foi apontado como braço direito do ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho, considerado um dos maiores narcotraficantes do mundo.
A avó e a mãe da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro
Uma relação aparentemente distante entre Michelle Bolsonaro, a mãe e a avó pode ter relação com o passado das parentes. Ambas não foram convidadas para a posse do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A avó, Maria Aparecida Firmo Ferreira, cumpriu pena por vender drogas. Aos 55 anos, ela foi presa em flagrante em 1997, quando estava portando 169 “cabecinhas de merla”, subproduto da cocaína, em Brasília.
Segundo a revista Veja, a polícia recebeu uma denúncia de tráfico na região que é localizada a apenas 3 km do Palácio do Planalto. À época, ela confessou o crime na delegacia, mas chegou a negar para a Justiça posteriormente.
Maria Aparecida, ainda conforme a Veja, contou que cada pacotinho de droga era vendido a R$ 5. Ela acabou condenada a três anos de reclusão em regime fechado. A avó de Michelle deixou a penitenciária feminina de Gama após cumprir dois anos e dois meses de cadeia. Em 2000, sua punição foi considerada extinta.
Já a mãe da ex-primeira-dama, Maria das Graças, também se envolveu em um delito. Dessa vez, o crime foi falsificação de documento. Em 1988, a polícia descobriu que a mãe de Michelle tinha dois registros civis, um deles falso.
De acordo com o primeiro documento, o verdadeiro, Maria das Graças nasceu no dia 11 de junho de 1959, tinha 1,60 metro de altura, além de constar o nome de seu pai, Ibraim Firmo Ferreira.
No segundo, o falso, não constava o nome de seu pai, além de ter ocorrido alteração no nome da mãe, que passou de Maria Aparecida Mendes para Maria Aparecida Firmo Ferreira. Sua altura também foi modificada para 1,73 metros, ou seja, 13 centímetros a mais. O ano em que nasceu foi alterado para 1968, a deixando nove anos “mais jovem”.
Maria das Graças chegou a ser indiciada por falsidade ideológica, mas após o processo passar cinco anos parado na Vara Criminal, o processo foi arquivado em 1994. O juíz responsável pelo caso justificou a decisão afirmando que o crime estava prescrito.
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