Alexandre de Moraes vota por suspensão parcial de ação penal contra Alexandre Ramagem

Alexandre de Moraes vota por suspensão parcial de ação penal contra Alexandre Ramagem

Ministro do STF defende que apenas acusações referentes a crimes cometidos após a diplomação do deputado devem ser suspensas; decisão diverge do que foi aprovado pela Câmara

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira, 9, a favor da suspensão parcial da ação penal contra o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), no âmbito da investigação sobre tentativa de golpe de Estado.

No voto, Moraes defendeu que a suspensão atinja somente os crimes atribuídos ao parlamentar após a diplomação, entre eles dano qualificado mediante violência ou grave ameaça contra patrimônio da União e deterioração de bem tombado. Esses crimes, segundo o ministro, devem ter a tramitação suspensa até o fim do mandato, em respeito ao que determina a Constituição.

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Divergência com a Câmara

A decisão de Moraes contraria, em parte, a resolução aprovada na última quarta-feira, 7, pela Câmara dos Deputados. Por 315 votos a 143, os parlamentares aprovaram um projeto que suspende integralmente a ação penal contra Ramagem e, segundo críticos, cria brechas para beneficiar outros investigados. Moraes, no entanto, destacou que a deliberação da Câmara não se estende a outros réus do mesmo processo, ligados ao chamado “núcleo 1” do inquérito.

O julgamento acontece no plenário virtual da Primeira Turma do STF, onde os ministros apresentam seus votos eletronicamente. Ainda devem votar Luiz Fux, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin. O prazo se encerra na próxima terça-feira, 13.

Contexto da denúncia

Em março, o STF aceitou denúncia contra Ramagem por suposta participação em um grupo que teria atuado para viabilizar um golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele é acusado de cinco crimes, dos quais dois teriam ocorrido após a diplomação, quando já exercia mandato parlamentar.

A Câmara fundamentou sua decisão no artigo 53 da Constituição Federal, que assegura a deputados e senadores imunidade penal por suas opiniões, palavras e votos, além de prever que o Congresso pode suspender processos por crimes cometidos após a diplomação.

Na quinta-feira, 8, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enviou ao STF um ofício solicitando formalmente a suspensão da ação, com base na decisão do plenário da Casa.

Ramagem no centro das investigações

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, Alexandre Ramagem é o único parlamentar réu no processo que apura uma suposta articulação golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-ministros e militares.

Apesar da tentativa da Câmara de estender os efeitos da suspensão, a tendência no STF é manter a tramitação das acusações relativas a crimes cometidos antes da diplomação, limitando o alcance da imunidade parlamentar conforme previsto na Constituição.

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