Móveis do Palácio: Michelle afirma que vai tomar "medidas judiciais" contra Lula

A discussão em torno do assunto teve início ainda nos primeiros dias de 2023, quando o presidente Lula reclamou de começar seu governo vivendo em um hotel, sem poder se mudar para a residência oficial do Palácio da Alvorada

O embate entre o chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por causa de móveis do Palácio do Alvorada, ganhou novos rumos nesta quarta-feira, 20, após a Presidência encontrar os 261 móveis que Lula afirmou terem sido levados por Bolsonaro.

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A notícia fez com que a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, se pronunciasse sobre o caso. Em nota, a líder do PL Mulher disse:

“Durante muito tempo esse governo quis atribuir a nós o desaparecimento de móveis do Alvorada, inclusive insinuando que eles teriam sido furtados na nossa gestão. Na verdade, eles sempre souberam que isso era uma mentira, mas queriam uma cortina-de-fumaça para tirar o foco da notícia que eles gastariam o dinheiro do povo para comprar móveis luxuosos por puro capricho e sem licitação”.

“Agora que a verdade veio à tona, as medidas judiciais serão adotadas”, seguiu Michelle. "Essa é uma técnica recorrente deles. Apesar de todo desgaste emocional que isso me causou, eu sempre tive a certeza de que Deus traria a verdade à tona, não só nesse caso, mas em todas as falsas acusações que essas pessoas do mal têm feito contra nós".

A discussão em torno do assunto teve início ainda nos primeiros dias de 2023, quando o presidente Lula reclamou de começar seu governo vivendo em um hotel, sem poder se mudar para a residência oficial do Palácio da Alvorada. Ele também se queixou do estado de conservação das residências oficiais do Alvorada e da Granja do Torto.

Durante um café da manhã com a imprensa, Lula afirmou que Bolsonaro e sua esposa “levaram tudo”.
"Não sei se eram coisas particulares do casal, mas levaram tudo. Então a gente está fazendo a reparação, porque aquilo é um patrimônio público", afirmou o presidente, que ainda retomou o tema instantes depois.

"Pelo menos a parte de cima [do Palácio], está uma coisa como se não tivesse sido habitada, porque está todo desmontado, não tem cama, não tem sofá. Possivelmente, se fosse dele, ele tinha razão de levar mesmo. Mas, ali é uma coisa pública", completou.

O desaparecimento da mobília também foi apontado em abril do ano passado, como um dos motivos para a adesão sem licitação de móveis de luxo para o Alvorada.

Foram comprados de uma loja de um shopping de design e decoração em Brasília:

  • uma cama
  • dois sofás
  • duas poltronas

Em outra loja, o governo comprou um colchão king size.

Os móveis com custo mais alto foram um sofá com mecanismo elétrico (reclinável para a cabeça e pés), que custou R$ 65, 1 mil e uma cama de R$ 42, 3 mil.

“Em janeiro deste ano, a curadoria das residências oficiais identificou que 261 móveis do Alvorada estavam desaparecidos. Após três meses de procura, 83 móveis ainda não foram encontrados. A ausência de móveis e o péssimo estado de manutenção encontrado na mobília do Alvorada exigiram a aquisição de alguns itens", informou a Presidência na ocasião, ao ser questionada sobre a compra dos móveis.

O governo afirmou, agora, que todos os motivos e justificativas para a aquisição dos bens foram expressos nos canais oficiais, com suas respectivas fundamentações legais.

"Cabe ressaltar ainda que os bens adquiridos passaram a integrar o patrimônio da União e serão utilizados pelos futuros chefes de Estado que lá residirem", informou a Presidência.

Nesta quarta-feira, 20, o ex-presidente Jair Bolsonaro se manifestou sobre o caso, afirmando que Lula fez uma "falsa comunicação de furto" ao apontar que algumas peças haviam desaparecido.

Móveis adquiridos por Lula para o Alvorada

  • Sofá (306 cm de largura, 110 cm de profundidade), com mecanismo elétrico reclinável para cabeça e pés, revestido em couro na tonalidade cinza, grão natural. Valor: R$ 65.140
  • Sofá (232 cm de largura, 109 cm de profundidade), com mecanismo elétrico reclinável para cabeça e pés, revestido em couro na tonalidade cinza, grão natural. Valor: R$ 31.690
  • Cama (231 cm de largura, 246 cm de profundidade e 94 cm de altura), com revestimento em couro grão natural, lixamento leve e acabamento oleoso. Pés em metal e revestimento secundário em tecido. Valor: R$ 42.230
  • Poltrona ergonômica (90 cm de largura e 82 cm de profundidade), revestida em couro, com pufe na cor branca, revestimento em couro grão natural, com almofadas do assento com enchimento em poliuretano e estrutura metálica. Valor: R$ 29.450
  • Poltrona fixa (107 cm de largura e 94 cm de profundidade), em veludo azul, com pés em aço inox, estrutura em madeira de reflorestamento, pinus naval. Valor: R$ 19.270
    Colchão (193 cm de largura e 203 cm de comprimento) masterpiece top visco. Valor: R$ 8.990. 

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