Entenda a relação entre Bolsonaro e Renato Cariani, influencer alvo de operação da PF

Cariani foi alvo de esquema de desvio de produtos químicos para produção de crack. Ele tem mais de 7,3 milhões de seguidores no Instagram. No YouTube, soma 6,3 milhões de seguidores no YouTube

O influenciador fitness Renato Cariani, de 47 anos, investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de desviar produtos químicos que seriam substrato para produção de crack, recebeu o então presidente Jair Bolsonaro (PL) em agosto de 2022, em seu podcast no YouTube, o IronCast. A relação entre os dois é, em síntese, de apoiador e apoiado. O vídeo da entrevista foi ao ar dois meses antes da eleição presidencial e tem 4,8 milhões de visualizações. A transmissão teve picos de 400 mil pessoas simultâneas. 

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Bolsonaro recordou sua trajetória ligada ao esporte nas Forças Armadas, falou sobre a incidência dos impostos no Whey Protein, além de afirmar que a academia de Cariani era um ambiente saudável para criar vínculos de amizade. Disse ainda que se matricularia no espaço, caso não morasse longe: "Se eu fosse vizinho, me matriculava aqui". 

"Tem que cuidar da carcaça, senão se entrega aí a vícios, como fumar, beber, uma noite mal dormida. Se não mexer sua carcaça com certa periodicidade, você fica impedido de fazer isso aí. Só quem pratica, por exemplo, a caça submarina sabe como é bacana. Você não precisa ir a dez metros. A cinco metros você já tem peixe", disse Bolsonaro durante a entrevista a Cariani. 

Uma semana antes de participar da live do digital influencer, Bolsonaro anunciou um pacote de isenções tributárias para importação de suplementos alimentares - como Whey Protein e creatina - e também produtos usados em sua fabricação, foco dos negócio de Cariani.  

“O Governo Federal zerou imposto de importação de suplementos alimentares, como Whey Protein, creatina, BCAA e multivitamínicos, e diversos itens de nutrição esportiva, além de reduzir de 11,2 para 4% os impostos para diversos outros itens, como proteínas lácteas e Albumina”, escreveu em seu perfil oficial no antigo Twitter, hoje X. 

Cariani foi alvo de esquema de desvio de produtos químicos para produção de crack. Ele tem mais de 7,3 milhões de seguidores no Instagram. No YouTube, soma 6,3 milhões de seguidores no YouTube. O principal alvo da Operação Hinsberg é a empresa Anidrol, indústria química situada em Diadema. O sócio fundador é Renato Cariani. A operação foi realizada pela PF em conjunto com a Receita Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo.

A operação encontrou 12 toneladas de compostos químicos que correspondem a 19 toneladas de cocaína e crack prontos para consumo.

"As investigações revelaram, ainda, que os envolvidos empregavam diversas metodologias para ocultar e dissimular a procedência ilícita dos valores recebidos, tais como interpostas pessoas e constituição de empresas fictícias. As pessoas relacionadas aos fatos investigados responderão, cada qual dentro da sua esfera de responsabilidade, pelos crimes de tráfico equiparado, associação para fins de tráfico, bem como pelo crime de lavagem de dinheiro. As penas cominadas podem ultrapassar 35 anos de reclusão", diz a PF em nota.

Confira nota na íntegra: 

A Polícia Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO do MPSP) de São Paulo e a Receita Federal deflagraram, nesta terça-feira, 12/12, a Operação Hinsberg, que tem como objetivo reprimir e desarticular organização criminosa que desviou produtos químicos para produção de drogas.

O controle de insumos químicos e a repressão dos desvios para o tráfico de drogas têm se configurado como ferramenta de inteligência utilizada pela PF na mitigação da produção e oferta de entorpecentes no território nacional.

Mais de 70 policiais federais estão nas ruas para dar cumprimento à 18 mandados de busca e apreensão em endereços situados em São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

As investigações revelaram que o esquema abrangia a emissão fraudulenta de notas fiscais por empresas licenciadas a vender produtos químicos em São Paulo, usando “laranjas” para depósitos em espécie, como se fossem funcionários de grandes multinacionais, vítimas que figuraram como compradoras.

Foram identificadas 60 transações dissimuladas vinculadas à atuação desta Organização Criminosa, totalizando, aproximadamente, 12 toneladas de produtos químicos (fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila), o que corresponde à mais de 19 toneladas de cocaína e crack prontas para consumo.

As investigações revelaram, ainda, que os envolvidos empregavam diversas metodologias para ocultar e dissimular a procedência ilícita dos valores recebidos, tais como interpostas pessoas e constituição de empresas fictícias.

As pessoas relacionadas aos fatos investigados responderão, cada qual dentro da sua esfera de responsabilidade, pelos crimes de tráfico equiparado, associação para fins de tráfico, bem como pelo crime de lavagem de dinheiro. As penas cominadas podem ultrapassar 35 anos de reclusão.

O nome da operação faz alusão a Oscar Hinsberg, químico que percebeu a possibilidade de converter compostos químicos em fenacetina. Tal substância foi o principal insumo químico desviado.

Haverá atendimento à imprensa a partir das 10h30 no auditório da Superintendência Regional da PF em São Paulo, na Rua Hugo D’Antola, 95 – Lapa – SP/SP.

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