General Newton Cruz, ex-chefe do SNI na ditadura, morre aos 97 anos
Uma das figuras mais emblemáticas do período da repressão, Newton Cruz foi acusado de participar do atentado a bomba do Riocentro, mas nunca foi preso ou condenado
Uma das figuras mais notórias do aparato de repressão da Ditadura Militar brasileira, o general Newton Cruz morreu nesta sexta-feira, 15, aos 97 anos. Durante os governos militares, ele chefiou a Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) e foi acusado de participar da tentativa de atentado a bomba no Riocentro.
A informação da morte foi confirmada pela família a diversos veículos de imprensa. General de divisão reformado do Exército, Newton Cruz deixa quatro filhos e estava internado no Hospital Central do Exército, no bairro Benfica, no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi revelada oficialmente, mas vem sendo divulgada como “causas naturais”.
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Em 17 de dezembro de 1983, o general protagonizou um dos momentos mais marcantes do período de repressão, quando agrediu um jornalista durante uma coletiva de imprensa. Ao ser questionado pelo repórter Honório Dantas sobre a falta de democracia no Brasil, Cruz responde que "democracia é cumprir a lei" e manda, aos gritos, que ele "cale a boca".
O general foi também um dos seis denunciados à Justiça por participação no atentado a bomba no Riocentro, em 1981. Na época, o Ministério Público Federal acusou Newton Cruz de omissão após não tomar providências para evitar o ataque, que já seria de seu conhecimento. Os procuradores do caso pediram pena mínima de 36 anos e seis meses de prisão para o general, mas ele nunca foi condenado no caso.