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Girão aciona polícia após sofrer ameaças por críticas a projeto que amplia porte de arma

Ao O POVO, o parlamentar confirmou o teor das mensagens, mas disse que já procurou as autoridades: "As providências junto à polícia já foram tomadas"
22:06 | Mar. 10, 2022
Autor Henrique Araújo
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Henrique Araújo Repórter Política
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Tipo Notícia

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) acionou a polícia após sofrer ameaças por críticas feitas ao projeto de lei 3.723/2019, que amplia o porte de armas.

De autoria do Executivo, o PL passou pela Câmara e agora está sendo votado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). O trâmite da proposta, contudo, foi interrompido depois de aprovação de pedido de vista coletivo.

Na sessão dessa quarta-feira, 9, Girão fez críticas ao texto, classificado por ele como um desmonte do Estatuto do Desarmamento, principalmente do artigo 6º, que delibera sobre as categorias com acesso a armas de fogo.

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“É afogadilho, é perigoso o que está acontecendo. Está-se rasgando o Estatuto do Desarmamento. Vamos deliberar para revogar o estatuto? Talvez esse seja um caminho mais óbvio”, alertou o senador.

No dia seguinte, conforme documento encaminhado à reportagem, Girão recebeu ameaça por email. Além dele, as senadoras Simone Tebet (MDB-MS) e Eliziane Gama (Cidadania-MA) também foram alvo dos ataques.

Ao O POVO, o parlamentar confirmou o teor das mensagens, mas disse que já procurou a polícia.

“As providências junto à polícia já foram tomadas. As senadoras foram chamadas de algo impublicável. Vivemos momentos de muita intolerância, mas o bom senso e a razão vão prevalecer”, declarou antes de embarcar em voo de Brasília na noite desta quinta-feira.

Relator do projeto, o senador governista Marcos do Val (Podemos-ES) acolheu uma série de emendas ao texto-base, incluindo no rol de categorias com porte liberado procuradores estaduais, fiscais do meio ambiente, auditores fiscais agropecuários, agentes de trânsito, guardas municipais, defensores públicos, agentes socioeducativos, policiais de assembleias legislativas e outras.

A manobra foi criticada por parlamentares de oposição ao projeto, que veem no gesto uma tentativa de esvaziamento do Estatuto do Desarmamento.

A ampliação do porte de armas é uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus filhos. Em ano eleitoral, o chefe do Executivo acena para seu eleitorado com a tentativa de cumprir a promessa de campanha.

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