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Churrasco em frente ao Bradesco: pecuaristas reagem a vídeo do banco contra consumo de carne

Os protestos foram convocados na semana anterior por grupos de WhatsApp e ocorreram em frente a agências do banco no Mato Grosso, São Paulo, Pará, Tocantins e Minas Gerais. Trata-se de uma reação a uma campanha do banco contra o consumo de carne
16:50 | Jan. 03, 2022
Autor Filipe Pereira
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Filipe Pereira Repórter de Política
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Tipo Notícia

Em protesto contra uma campanha de marketing do Bradesco divulgada em 23 de dezembro, em que três influenciadoras viralizaram ao sugerir o não-consumo de carne nas segundas-feira, sindicatos rurais e representantes de associações de criadores promoveram nesta segunda, 3, manifestações em várias regiões do país com o título unificado "Segunda com Carne". Os protestos foram convocados na semana anterior por grupos de WhatsApp e ocorreram em frente a agências do banco no Mato Grosso, São Paulo, Pará, Tocantins e Minas Gerais.

Na maioria dos locais, como Cuiabá, Sinop, Água Boa, Rondonópolis, Barra do Garças, Porto Alegre do Norte (todas no MT), Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Birigui (em SP) e Uberaba (MG), foram distribuídos espetinhos de carne ou churrasco às pessoas que formaram fila.

Em Xinguara, no Pará, uma reportagem do G1 revelou que os pecuaristas resolveram doar seis toneladas de carne bovina para os beneficiários de programas sociais. A fila avançou por vários quarteirões enquanto um carro de som anunciava que o movimento era um alerta à população para evitar a lacração de não comer carne. O termo “lacração” foi repetido em várias das manifestações.

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Em Cuiabá, em frente à agência central do Bradesco, foram distribuídos 1.500 espetos, cerca de 150 kg de carne, para aproximadamente 800 pessoas. “O objetivo foi mostrar ao consumidor a importância da pecuária e sua responsabilidade no sequestro das emissões de gases. Respeitamos quem não come carne por opção, mas é um ledo engano achar que isso contribui para o meio ambiente", disse Francisco de Sales Manzi, diretor-técnico da Associação dos Criadores do Mato Grosso, ao G1

"A criação de gado contribui para a emissão dos gases de efeito estufa, então, que tal se a gente reduzir o nosso consumo de carne e escolher um prato vegetariano na segunda-feira?", sugerem as influenciadoras no vídeo que busca promover redução de carbono. Segundo Manzi, os pecuaristas do país inteiro se sentiram ofendidos com a ideia errônea que foi levada aos consumidores pelo vídeo.

"Não é exagero da parte deles, é má-fé. Eles fazem de propósito para quebrar o agronegócio. A mesma propaganda feita pelo Banco do Brasil mostra a diferença entre um banco consciente e outro que faz difamação do agronegócio", disse o deputado estadual Gilberto Cattani (PSL) à Folha de S. Paulo

Uma semana antes, o Bradesco já havia publicado carta reafirmando seu apoio ao agronegócio brasileiro e sua "crença indelével" no setor como vetor de crescimento do país. A instituição declarou ainda que a posição manifestada por influenciadores digitais em relação ao consumo de carne bovina é "descabida", não representa a visão da instituição e que tomou “ações administrativas internas severas".

Nesta segunda, a assessoria de imprensa divulgou esta nota: “O Bradesco reitera seu apoio e crença irrestrita ao setor agropecuário. Há décadas é o maior banco privado do agronegócio. Foram a Pecplan e a Fundação Bradesco, com o apoio de seus técnicos, que implantaram e capacitaram milhares de agropecuaristas a fazer inseminação artificial. Com isso, o banco contribuiu decisivamente para a pecuária alcançar o atual e reconhecido nível de excelência mundial".

 

 

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