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Anvisa repudia ameaça de Bolsonaro a servidores: "Método fascista"

O presidente da disse que ia divulgar o nomes dos responsáveis pela decisão que autoriza a vacinação em crianças
19:15 | Dez. 17, 2021
Autor Paulo André Sales
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Tipo Notícia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse em nota divulgada “repudiar com veemência” as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a aplicação de vacinas em crianças de 5 a 11 anos no Brasil. Bolsonaro disse em sua live realizada semanalmente que pediu os nomes dos servidores responsáveis pela decisão para divulgá-los. Isso foi visto por funcionários da agência como intimidação.

"A Anvisa está sempre pronta a atender demandas por informações, mas repudia e repele com veemência qualquer ameaça, explícita ou velada que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias", diz a nota. O texto é assinado pelo diretor-presidente, Antônio Barra Torres, e pelos diretores Meiruze Freitas,Cristiane Rose Jourdan, Romison Rodrigues Mota e Alex Machado Campos.

A Associação dos Servidores da Anvisa (Univisa) também afirma, por meio de nota, que “a intenção de se divulgar a identidade dos envolvidos na análise técnica não traz consigo qualquer interesse republicano” e trata as ações do presidente como “método fascita e cujos os resultados podem ser trágicos”.

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Na live, Bolsonaro citou possíveis efeitos colaterais de vacinas em crianças. “Você pai, você mãe, responsável pelo seu filho, vai ler aqui o comunicado público da Anvisa. Não sei se são os diretores ou o presidente que chegou a essa conclusão, ou é o tal do corpo técnico. Mas seja qual for, você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram a vacina a partir de 5 anos para seu filho”, afirma o presidente. Bolsonaro disse também que não tem interferência no órgão público.

A autorização da Anvisa para a imunização contra a covid-19 para crianças de 5 a 11 anos foi publicada nessa quinta-feira, 16, no Diário Oficial da União. Porém, o início da vacinação ainda não tem data. O tema tem o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e de outros especialistas, porém enfrenta a resistência do presidente e de seus apoiadores da ala ideológica.

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