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Mulher finge ser bolsonarista, entra em protesto e discursa contra o presidente: "tomem vacina"

Técnica de enfermagem se vestiu de verde e amarelo, entrou em protesto pró-Bolsonaro e fez discurso contra o negacionismo científico do presidente e apoiadores
11:27 | Nov. 23, 2021
Autor Rose Serafim
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Tipo Notícia

Cansada dos discursos negacionistas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a técnica de enfermagem Suzi Mirian dos Santos, 55, tomou uma atitude inesperada no último domingo, 21. Moradora de Santos, no litoral de São Paulo, a mulher se vestiu de verme e amarelo e conseguiu entrar em um protesto favorável ao presidente. Lá, pediu o microfone e mandou todos os presentes tomar a vacinar e usar máscaras.

A situação ocorreu no bairro Gonzaga, onde fica a praça da Independência, um dos pontos tradicionais para manifestações pró-Bolsonaro na cidade paulista. Em entrevista ao G1, Mirian contou que estava almoçando quando ouviu os primeiros barulhos do protesto. Dessa vez, o grupo, que já repercutia discursos do presidente em favor da automedicação e de ideias que contradizem a ciência, reclamava da obrigatoriedade do passaporte da vacina, relata a técnica de enfermagem.

“Eles fazem esse protesto quase que todo domingo, sempre fazendo alegações que não condizem com a ciência, e incentivam a automedicação na pandemia. Aí hoje estavam falando que eram contra a apresentação da carteira de vacina para viajar. Aí peguei e coloquei uma camiseta verde e um chinelo amarelo, só para poder chegar até eles", disse ao portal.

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Depois de se infiltrar, Suzi Mirian pediu o microfone e espaço para discursar logo depois de um apoiador do presidente.

“Eu não quero saber em quem eles votaram. Eu sou a favor da máscara. Ele [apoiador] perguntou quem viu alguém morrer de Covid. Eu vi vários colegas meus, eu trabalho na Saúde, eu fiquei 21 dias na UTI com edema pulmonar. Quando o seu direito de tirar a máscara compromete a vida dos outros, você tá errado. Não importa quem está roubando, isso é uma investigação à parte. Na nossa saúde, foram mais de 600 mil mortes. Eu conheço sim [pessoas que morreram] e eu me sinto ofendida como profissional de saúde quando desmentem a gravidade do Covid. Quando as pessoas vêm aqui e fazem piadas homofóbicas, elas estão ofendendo muita gente. Não quer tomar vacina? Coloca minha vida, a dele, a de todo mundo em risco. Se é democracia, me deixa falar”, falou a técnica de enfermagem aos manifestantes.

Confira o vídeo:


Depois da fala, apoiadores retiraram o microfone das mãos de Suzi e uma policial a conduziu até a saída da manifestação.

"A policial me tirou super educadamente e eu sai. Mas, essas coisas que eles [apoiadores] falam são um desserviço e atentam contra a vida humana, falar que não é preciso se vacinar, colocar máscara, isso é um absurdo. Muitas pessoas começaram a me aplaudir dos prédios e das ruas depois que eu terminei de falar", destacou, em entrevista ao G1.

O filho de Suzia Mirian, responsável por colocar o vídeo com a ação da mãe nas redes sociais, conta que a família se mudou para o lugar em 2020. Desde então, precisam lidar com discursos negacionistas. Ele diz que a mãe já havia comprado um megafone para responder aos manifestantes da janela de casa, mas, naquele dia, combinou com uma amiga e se infiltrou entre os bolsonaristas.

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