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Ultradireitista Matteo Salvini é criticado por aliados após encontro com Bolsonaro na Itália

Com popularidade em queda, aceno de Salvini ao presidente brasileiro foi tido como tentativa de se reaproximar de setores ultranacionalistas do país europeu
11:20 | Nov. 04, 2021
Autor Maria Eduarda Pessoa
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Tipo Notícia

O líder o partido italiano de ultradireita Liga Norte, senador Matteo Salvini, tonou-se alvo de críticas de aliados neste fim de semana, após manifestar apoio ao presidente Jair Bolsonaro durante a visita do brasileiro ao país europeu.

Integrante da ala moderada da coalizão de centro-direita a que Salvini pertence, a deputada do Partido Democrata Pina Picierno categorizou o mandatário brasileiro como "atrasado e extremista" e cobrou um posicionamento de repúdio da Liga Norte ao encontro. 

"O posicionamento internacional de Salvini parece se alinhar ao dos direitistas mais atrasados e extremistas. A Liga Norte deveria esclarecer porque todos esses elementos não são compatíveis com uma força política que deveria mostrar responsabilidade do governo e se colocar no campo pró-europeu", disse Picierno.

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O deputado do Movimento 5 Estrelas e presidente da Comissão de Justiça da Câmara italiana, Mario Perantoni, afirmou que "a presença de um chefe de Estado como Bolsonaro na Itália é indigesta e não deve ser aplaudida".

"É hora de Matteo decidir de que lado ele prefere estar", disse o ministro da Economia italiano, Giancarlo Giorgetti, número dois da Liga Norte e principal adversário de Salvini dentro do partido.

Bolsonaro e Salvini se reuniram no domingo, 31, para homenagear os 462 brasileiros que morreram na Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, o italiano chegou a se desculpar pelos protestos que eclodiram nos últimos dias contra a presença do presidente brasileiro no país.

"Peço desculpas ao povo brasileiro representado por seu presidente pelas polêmicas, inclusive no momento de lembrança daqueles que perderam suas vidas defendendo nosso país e o libertando da ocupação nazista", lamentou o líder da Liga Norte, em entrevista. Questionado sobre a gestão de Bolsonaro na pandemia, Salvini afirmou que "a história decidirá" se Bolsonaro foi culpado ou não pelos nove crimes imputados a ele pela CPI da Covid no Senado.

A aproximação de Salvini com Bolsonaro é vista como uma tentativa do senador italiano de recuperar sua popularidade entre os ultranacionalistas do país europeu. Isso ocorre num momento em que a Liga Norte tem perdido espaço para o FdI (Irmãos da Itália) enquanto partido mais à direita no espectro político/ideológico.

Pesquisa de Demos e Pi para o jornal La Repubblica mostrou que Salvini perdeu apoio entre os italianos nos últimos meses, caindo para o 8º lugar no ranking dos líderes mais apreciados, abaixo de Draghi, do ministro da Saúde Roberto Speranza e da líder do FdI, Giorgia Meloni.

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