Participamos do

Irmão de Sarto, secretário da Cultura chama reitor da UFC de "interventor" em ofício

O termo ganhou força entre estudantes e setores da oposição ao governo Bolsonaro para referir-se ao atual reitor após ele ser nomeado mesmo não tendo sido o mais votado em consulta à comunidade acadêmica
12:51 | Out. 28, 2021
Autor Vítor Magalhães
Foto do autor
Vítor Magalhães Repórter de Política
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

Ofício assinado pelo secretário da Cultura de Fortaleza, Elpídio Nogueira, irmão do prefeito da Capital, Sarto Nogueira (PDT), refere-se ao reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cândido Albuquerque, como “interventor” da mesma instituição. O termo é usado, principalmente, por estudantes que não concordam com a escolha do atual gestor para o cargo; feita ainda em 2019.

O documento onde ocorreu a gafe, solicita ao reitor da UFC que sejam indicados dois representantes da universidade para compor os quadros do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Histórico e Cultural (COMPHIC), da Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza, sendo um titular e um suplente.

O termo “interventor” ganhou força entre estudantes da UFC e setores da oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para referir-se ao atual reitor da UFC após ele ser nomeado por Bolsonaro mesmo não tendo sido o mais votado em consulta à comunidade acadêmica (alunos, servidores e corpo docente), em uma lista tríplice produzida pela instituição.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

Em nota, a Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor) informou que "houve um erro ao redigir ofício direcionado ao reitor" e que um novo documento será expedido com a "denominação correta". Ainda segundo a pasta, o secretário Elpídio Nogueira já entrou em contato com Cândido para esclarecer o equívoco.

O processo de escolha dos dirigentes de instituições federais de ensino superior é regulamentado por decreto que estabelece que, a cada quatro anos, as universidades federais promovam uma eleição para indicar três nomes que formam a lista. Essa relação é enviada ao Ministério da Educação (MEC) e a escolha cabe à Presidência da República. Desde o primeiro governo do ex-presidente Lula (PT), os gestores escolhidos eram sempre os primeiros colocados nas listas recebidas pelo MEC.

Em 2019, ano em que Cândido foi escolhido para o cargo, o MEC ressaltou que "não há hierarquia na lista tríplice, ou seja, qualquer um dos três nomes pode ser indicado para o cargo de reitor e vice-reitor". À época, alunos, professores e servidores da UFC realizaram atos contra a nomeação e em defesa da "autonomia e democracia” da universidade.

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags