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Pivô da queda de diretoria, Instituto nega ter remuneração em contrato com BNB

Contrato de R$ 600 milhões teria motivado queda de Romildo Rolim da presidência do BNB
15:52 | Out. 01, 2021
Autor Carlos Mazza
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Carlos Mazza REPÓRTER DE JORNALISMO DE DADOS
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Tipo Notícia

No centro de crise que provocou destituição de toda a diretoria do Banco do Nordeste (BNB), o Instituto Nordeste Cidadania (Inec) negou irregularidades e disse não ser remunerado diretamente por contratos firmados entre o órgão e o BNB.

Desde a sexta-feira passada, 24, circula nas redes sociais video do presidente nacional do PL, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, afirmando que pediu a Jair Bolsonaro a demissão da diretoria do banco. Nas imagens, ele diz ter sido “surpreendido” com a existência de um contrato em R$ 600 milhões entre a instituição e uma “ONG”.

"Pedimos a demissão do presidente e toda a diretoria do Banco do Nordeste. Por uma simples razão: o PL não pode manter diretores em um banco que encontram uma situação dessas e não tomam providências", diz Costa Neto. Na tarde de ontem, a polêmica provocou demissão de Romildo Rolim e posse do interino Anderson Possa no BNB.

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Sobre o caso, o Inec – oficialmente uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil em Interesse Público), e não uma ONG – destacou em nota que já existe desde 1993, atuando em campanhas de segurança alimentar, com distribuição de alimentos. Apenas em 2020, destaca o Inec, foram 5 mil toneladas de alimentos distribuídos para famílias carentes.

Já o contrato com o BNB, que existe desde 2003, seria um Termo de Parceria para a “operacionalização” de dois programas de microcrédito do banco, o Crediamigo e o Agroamigo. Neste sentido, o Inec destaca atuação em cerca de dois mil municípios, com carteira de 2,5 milhões de clientes e mais de 20 mil operações diárias.

“Os recursos oriundos do Termo de Parceria são utilizados exclusivamente para a operacionalização dos Programas, não havendo remuneração para o Inec. Os repasses acontecem mediante a apresentação de prestação de contas mensais, revisadas e autorizadas pelo Banco”, diz a nota do Instituto.

Nos bastidores da demissão de Rolim, um dos comentários é que o contrato com o Inec teria incomodado pessoalmente o presidente Jair Bolsonaro, por conta de uma suposta relação entre a OSCIP e pessoas filiadas ao Partido dos Trabalhadores. A nota chega a mencionar a questão indiretamente, negando ingerências político-partidárias no órgão.

“Alinhado às melhores práticas de governança corporativa, o Inec traz em seu Estatuto Social e outros normativos, regras expressas contra ingerências politico-partidárias e é signatário do Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção – Empresa Limpa”. Há ainda uma disputa sobre o controle do órgão de olho nas eleições de 2022.

O Inec destaca ainda que é alvo de auditorias anuais de empresas independentes e que, “todas atestaram a regularidade do Termo de Parceria firmado com o Banco do Nordeste, comprovando a correta aplicação dos recursos”. O Instituto destaca que as empresas de auditoria contratada estão sempre entre as maiores do ramo em todo o mundo.

Em nota, o BNB repete argumentos semelhantes aos do Inec, destacando ainda que a troca da operação dos programas para outras instituições não "se mostrava vantajosa" em função do "custo e risco de se perder o investimento feito em profissionalização".

A instituição destaca ainda que todos os contratos são "amplamente auditados" e já passaram por diversos processos de auditoria interna e externa, incluindo pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e não possuíam quaisquer indícios de corrupção.

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