"Ele não me esquece", diz Mandetta após críticas de Bolsonaro
Ex-ministro respondeu sobre críticas frequentes que o presidente faz sobre a participação dele no governo. Ainda nesta segunda, Bolsonaro citou Mandetta em discurso
"Ele não me esquece, parece que sonha comigo todo dia falando a verdade para ele", disse Luiz Henrique Mandetta sobre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O ex-ministro da Saúde respondeu ao UOL News sobre as constantes críticas do mandatário à passagem dele pelo governo.
Mandetta foi demitido em abril de 2020, após divergir do presidente em decisões sobre a gestão da pandemia de coronavírus. Mas, ainda nesta segunda-feira, 27, o chefe do Executivo citou o ex-ministro e se colocou contra a vacinação obrigatória.
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“Você vai seguir o protocolo do Mandetta? Esperar sentir falta de ar para procurar um médico ou vai partir para um outro medicamento qualquer agora? Não vou responder a vocês o que ele me disse”, disse Bolsonaro sobre conversa recente que teve o atual ministro da Saúde Marcelo Queiroga, que testou positivo para Covid. Em seguida, finalizou “Ninguém, mais do que eu, respeita o direito de todos. A vacina não pode ser obrigatória”. A fala foi feita durante a cerimônia de lançamento da nova linha de crédito da Caixa
Ao UOL, Mandetta chamou a defesa de Bolsonaro pelo suposto tratamento precoce de “método picareta”, e disse ter avisado sobre as consequências da adoção dessa ideia.
“Ele optou por esse caminho das trevas, está pagando um preço enorme, vai fazer 600 mil óbitos essa semana e esses fantasmas provavelmente habitam o seu sono todas as noites. Ele não me esquece porque eu fui provavelmente o único no seu entorno que teve a coragem de falar a verdade”, disse o ex-ministro.
Mandetta ainda comentou o negacionismo do presidente sobre as vacinas e afirmou que o mandatário “joga contra”, comemorando os efeitos colaterais dos imunizantes e colocando dúvidas sobre a sua eficácia.
Ele ainda falou sobre o comportamento do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que foi filmado mostrando o dedo do meio para manifestantes em Nova Iorque, durante passagem da comitiva presidencial na 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Sobre isso, o ex-aliado destacou que, se participasse do governo de outro país, Queiroga teria que, no mínimo, pedir desculpas publicamente ou seria convidado a se retirar da gestão por não ter equilíbrio emocional suficiente para o cargo.
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