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Girão revela que diretor da Precisa viajou a Las Vegas na mesma época que Flávio Bolsonaro

A ação acabou sendo uma das maiores revelações do dia, já que Danilo dizia, até o momento, apenas conhecer Flávio Bolsonaro, mas não ter relações profissionais ou de amizade com o senador.
18:26 | Set. 23, 2021
Autor Filipe Pereira
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Filipe Pereira Repórter de Política
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Tipo Notícia

O senador Eduardo Girão revelou, durante sessão da CPI da Covid nesta quinta-feira, 23, que o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) solicitou uma viagem para Las Vegas, nos Estados Unidos, na mesma época que diretor da Precisa Medicamentos, Danilo Trento, depoente da comissão nesta quinta, também estava em território norte-americano. O objetivo seria para tratar de um lobby de jogatina. 

Anteriormente, Danilo Trento se negou a dizer se viajou para Las Vegas com senadores, ou se aconteceu algum encontro entre ele e parlamentares. Segundo Girão, além dos parlamentares, o ministro do Turismo, Gilson Machado, na época presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), também compareceu ao local.

Em seguida, Girão apresentou um documento sobre a viagem. "Viagem autorizada em 17 de dezembro de 2019, requerida pelo senador Flávio Bolsonaro", revela o texto. Quando interrogado por Girão sobre a data exata que esteve em Las Vegas, o empresário exerceu o direito de silêncio.

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A ação acabou sendo uma das maiores revelações do dia, já que Danilo dizia até o momento apenas conhecer Flávio Bolsonaro, mas não ter relações profissionais ou de amizade com o senador. "Isso leva à dedução dos membros desta Comissão Parlamentar de Inquérito que esta viagem teve indícios de crime, ou foi criminosa", respondeu o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Nesta quinta, a CPI da Covid ouviu Danilo para tentar esclarecer sobre seu envolvimento com Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos e a Global Gestão em Saúde, envolvidas na negociação de venda da vacina Covaxin ao Ministério da Saúde. 

A Precisa Medicamentos é investiga por fechar um contrato com o Ministério da Saúde para venda de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, do laboratório Bharat Biotech, por R$ 1,6 bilhão. Documentos recebidos pelos senadores revelaram que o valor de US$ 15 por dose, negociado pela Precisa para a compra do imunizante, era 1.000% superior ao estimado pela farmacêutica em agosto de 2020.

A empresa indiana cancelou acordo com a Precisa no decorrer das apurações da CPI, após irregularidades apontadas pelos pelo deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e seu irmão Luís Ricardo, que é funcionário do Ministério da Saúde. Com isso, o pagamento não chegou a ser efetivado pelo governo.

Segundo Randolfe, Danilo Trento é sócio da empresa Primarcial Holding e Participações, com sede em São Paulo e no mesmo endereço da empresa Primares Holding e Participações, cujo sócio é Francisco Maximiano. Indícios apontar que Danilo e Maximiano viajaram juntos à Índia para as negociações em torno dos testes de covid e da vacina Covaxin. 

Trento compareceu à comissão protegido por um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso e evitou se manifestar, o que irritou os senadores. 

 



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