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Macri é investigado por suposto contrabando de munição para Bolívia contra Morales

O ex-presidente da Argentina e dois ex-ministro são acusados de enviar munição para reprimir manifestantes que protestavam contra a derrubada do ex-presidente da Bolívia, Evo Morales

14:38 | 17/07/2021
MAURICIO Macri, ex-presidente da Argentina (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
MAURICIO Macri, ex-presidente da Argentina (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ex-presidente da Argentina Mauricio Macri (2015-2019) se tornou alvo de uma investigação após ser denunciado por suposto contrabando de munição para a Bolívia em novembro de 2020, quando o país abrigou uma série de manifestações pela reeleição de Evo Morales.


O promotor Carlos Navas Rial acolheu um pedido de investigação com base em denúncias dos atuais ministros da Justiça, Martín Soria, e da Segurança, Sabina Frederic. A acusação também envolve dois ex-ministros de Macri: Patricia Bullrich (Segurança) e Oscar Aguad (Defesa).


Na semana passada, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, pediu desculpas ao Governo e ao povo da Bolívia pelo envio de munições por parte de seu antecessor para o governo de Jeanine Áñez, que assumiu o país interinamente após a saída antecipada de Morales em novembro de 2019.

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"Constatou-se que foi enviado do nosso país um carregamento de material que só pode ser interpretado como um reforço para a capacidade de ação das forças sediciosas contra a população boliviana naquela ocasião”, afirma Fernández em uma carta enviado ao atual presidente boliviano, Luis Arce. "Foi uma colaboração decidida pelo Governo do então presidente Mauricio Macri com a repressão militar e policial que sofreram aqueles que defendiam a ordem institucional de seu país”, acrescentou.


O chanceler boliviano, Rogelio Maita, denuncia que a gestão de Macri enviou munições e gás lacrimogêneo às forças armadas para reprimir os protestos dos partidários de Morales. Ele cita “uma coordenação internacional para reprimir o povo boliviano”.


Maita mostrou à imprensa uma nota de agradecimento enviada em 13 de novembro de 2019 pelo então comandante da Força Aérea Boliviana, general Gonzalo Terceros, ao embaixador da Argentina na Bolívia, Normando Álvarez García. No documento, se confirma o recebimento de 40 mil cartuchos AT 12/70 e de uma pequena quantidade de bombas de gás lacrimogêneo.


Segundo o chanceler boliviano, essa munição foi usada pelas forças policiais e militares no “massacre de Sacaba”, em 15 de novembro de 2019, e no “massacre de Senkata”, em 17 de novembro de 2019. Mais de 30 pessoas morreram nesses atos de repressão contra setores que protestavam contra a derrubada de Evo Morales.


Em nota pública, Macri negou as acusações e defendeu que seu governo concedeu asilo na embaixada argentina em La Paz a funcionários do governo de Morales. "Quero negar categoricamente a veracidade dessas acusações", disse.


O atual ministro da Segurança argentino, por sua vez, afirma que a munição foi enviada "secretamente" em um avião da Força Aérea que levou 10 policiais à Bolívia para reforçar a segurança da embaixada. Para o ministro Soria, "o crime consiste em dizer que a munição vai para a embaixada e acaba em poder da aeronáutica boliviana e no posto policial".