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Família Bolsonaro nega participação em esquema de rachadinha

Rachadinha é caracterizada pelo desvio de salário de assessor, trata-se de uma transferência de uma parte do salário do servidor para o parlamentar ou secretários.

11:01 | 05/07/2021
Presidente Jair Bolsonaro (sem partido). (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Presidente Jair Bolsonaro (sem partido). (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Uma série de áudios de Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada de Jair Bolsonaro (sem partido), foram divulgadas nesta segunda-feira, 5, pela coluna da jornalista Juliana Dal Piva, no UOL. Os registros mostram o que era dito no círculo íntimo da família do presidente e o envolvimento em esquemas de rachadinha. Ao ser informado sobre as gravações, o advogado Frederick Wassef, que representa o presidente, negou ilegalidades e disse que existe uma antecipação da campanha eleitoral de 2022.

SAIBA MAIS | Gravações ligam Bolsonaro diretamente a esquema ilegal de rachadinhas

Ao serem questionados pela colunista, os representantes da família Bolsonaro negaram acusação de esquema de corrupção para obter valores de assessores. Wassef afirmou que os fatos narrados por Andrea "são narrativas de fatos inverídicos, inexistentes, jamais existiu qualquer esquema de rachadinha no gabinete do deputado Jair Bolsonaro ou de qualquer de seus filhos". Ele disse que se trata de uma "gravação clandestina à qual não tenho acesso, não conheço o conteúdo e não foi feita perícia".

A ação de desviar salário de assessor, ou seja, transferir uma parte ou todo o salário do servidor para o parlamentar ou secretários é caracterizado popularmente como rachadinha. Conforme as informações divulgadas, o esquema envolveria 18 parentes da segunda mulher do presidente, que foram nomeados em um dos três gabinetes da família Bolsonaro (Jair, Carlos e Flávio), no período de 1998 a 2018.

Frederick Wassef é advogado do presidente da República, Jair Bolsonaro
Frederick Wassef é advogado do presidente da República, Jair Bolsonaro (Foto: AFP)

Conforme Wassef, o que está ocorrendo "no Brasil, na verdade, é a antecipação da campanha presidencial de 2022 e estão sendo usados todos os artifícios e artimanhas para atingir a honra, imagem e reputação do presidente da República e da família Bolsonaro".

O advogado considera que os fatos apontados são parte de "uma campanha de perseguição política contra o presidente da República e sua família''. E em seguida, o advogado insistiu que "nunca existiu rachadinha e quaisquer pessoas que alegam esses fatos estão mentindo ou narrando fatos inverídicos".

Defesa de Flávio Bolsonaro

Os advogados Luciana Pires, Rodrigo Roca e Juliana Bierrenbach representam o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) no caso da rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ao UOL, eles emitiram uma nota dizendo que "gravações clandestinas, feitas sem autorização da Justiça e nas quais é impossível identificar os interlocutores não é um expediente compatível com democracias saudáveis".

Os advogados disseram que, por isso, a defesa se sentia "impedida de comentar o conteúdo desse suposto áudio apresentado pela reportagem". Já sobre Andrea Siqueira, a defesa de Flávio afirma que "ela trabalhou na Alerj e cumpria sua jornada dentro das regras definidas pela Assembleia".

Mais fontes ouvidas

O advogado Magnum Cardoso, que atua na defesa de Ana Cristina Valle e sua família, além de Guilherme Hudson, tio da ex-esposa de Bolsonaro, o coronel do Exército e ex-colega do presidente na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), disse por nota que os clientes decidiram que não iriam se pronunciar.

O advogado Paulo Emílio Catta Preta, que atua na defesa de Márcia Aguiar e Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro preso em Atibaia, não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre a menção feita por Márcia Aguiar ao presidente Jair Bolsonaro.