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Política
NOTÍCIA

Miranda se defende sobre áudio e diz que Dominguetti é "cavalo de Troia" plantado pelo governo

Mirando foi apontado por Dominguetti como um negociador de vacinas. O deputado rebateu dizendo que um áudio exibido na CPI é de outubro do ano passado e se trata de uma negociação de luvas cirúrgicas. "Nem existia vacina naquela época", disse

16:20 | 01/07/2021
Luiz Miranda aparece em sessão da CPI e gera tumulto  (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Luiz Miranda aparece em sessão da CPI e gera tumulto (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que denunciou supostas irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin, afirma que Luiz Paulo Dominguetti, que denuncia suposta propina durante negociação da vacina AstraZeneca com o Ministério da Saúde, se trata de um “cavalo de Troia” plantando pela base do governo para tentar descredibilizar seu depoimento da última sexta-feira, 25, à CPI da Covid.

O cabo da Polícia Militar, Luiz Paulo Dominguetti, que se apresenta como um representante da empresa Davati Mediccal Supply, que negociava a oferta de doses da AstraZeneca, depõe nesta quinta-feira, 1°, na CPI. Na ocasião, ele mostrou um áudio em que o deputado Luis Miranda supostamente tentava negociar vacinas.

O parlamentar, por sua vez, diz que o áudio existe, mas que foi enviado a um empresário de Brasília em outubro de 2020, com quem negociava a compra de luvas cirúrgicas. "Nem existia vacina naquela época", diz Miranda, que enviou um print da conversa que teve com um desses empresários, identificado em seu celular como "Rafael Alves Luvas".

Revoltado com as acusações de Dominguetti, Miranda chegou a invadir a sessão desta quinta-feira e tentou falar com o presidente da comissão, o senador Omar Aziz (PSD-AM). Veja abaixo o momento:

Senadores chegaram a pedir a prisão de Dominguetti: 

Segundo o parlamentar, ele é sócio de uma empresa em Miami, a LX Holding, procurada por uma empresa para o fornecimento de luvas. De acordo com informação da coluna de Mônica Bergamo para a Folha de S.Paulo, na ocasião, Miranda teria sido acionado pelos sócios que não achavam o produto nos EUA. Eles procuravam algum fornecedor no Brasil por intermédio do deputado.

Miranda afirma que, então, começou a negociar com Dicesar Ribeiro Vianna Filho, da VBC Consultoria, e Cristiano Hossri Carvalho, da CHC Consultoria. Ambos prometeram disponibilizar milhares de luvas e um contrato teria sido assinado em setembro do ano passado.

Os clientes da empresa de Miranda nos EUA, no entanto, exigiam "prova de vida", que segundo ele seria uma filmagem do estoque de luvas para provar que eles realmente poderiam disponibilizar o produto. "E eles não mandavam a prova", diz o parlamentar.

Luiz Paulo Dominguetti, representante da empresa Davati Mediccal Supply, foi convocado para depor na CPI da Covid depois de revelar em entrevista à Folha que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina em uma tentativa de negociação com o Ministério da Saúde.

Ele afirma que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou a propina durante um jantar em Brasília no dia 25 de fevereiro. Dias foi exonerado do cargo na última terça, 29, no mesmo dia em que a matéria foi ao ar.

Durante o depoimento à CPI, Dominguetti reafirmou a oferta de propina e apresentou um áudio que teria recebido de outro representante da Davati. Ele diz que o deputado Luis Miranda tentava intermediar a compra de vacina.

Acompanhe ao vivo sessão desta quinta, 1º, da CPI da Covid: