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Política
NOTÍCIA

Huck retoma tom como candidato, mas diz que é preciso abrir mão por terceira via

O apresentador defendeu a importância de outros eventuais candidatos às eleições de 2022 abrirem mão da disputa em favor da construção de uma terceira via no Brasil

21:10 | 27/06/2021
Luciano Huck era cotado como possível candidato à presidência em 2022, mas desistiu da disputa (Foto: Reprodução/Instagram)
Luciano Huck era cotado como possível candidato à presidência em 2022, mas desistiu da disputa (Foto: Reprodução/Instagram)

O apresentador Luciano Huck voltou a discursar em tom de candidato à Presidência da República durante duas horas de Live com banqueiros, empresários e economistas na noite deste domingo, 27. Ele, que se retirou do jogo eleitoral para substituir Fausto Silva aos domingos na programação da TV Globo, defendeu a importância de outros eventuais candidatos às eleições de 2022 abrirem mão da disputa em favor da construção de uma terceira via no Brasil.

"Minha saída vai abrir espaço. A gente vai ter de chegar num só... O poder a qualquer preço não funciona, o ego... Temos de abrir mão da candidatura pelo bem da eleição, ter uma terceira via", disse Huck, durante live, promovida neste domingo pelo Parlatório, uma organização sem fins lucrativos.

Sem querer "fulanizar" a discussão, ou seja, apontar culpados, Huck afirmou que "gostaria muito de um governo diferente do que está aí", que prega a "colisão". Alertou, contudo, que será difícil chegar à perfeição, mas que a busca tem de ser pela união do maior número de vertentes, indo do centro-esquerda para o centro-direita.

"Não terá perfeição. A perfeição não terá capacidade eleitoral no ano que vem. Precisamos de um governo capaz de consertar estragos desses últimos anos e que estamos vivendo agora", destacou Huck.

Para Huck, o Brasil não tem agenda e "atira para qualquer lado". Ele reforçou, por diversas vezes, a importância que a defesa e o respeito à democracia terão nas eleições de 2022. Na sua visão, a democracia "está em risco no Brasil", com um dos poderes atuando de maneira "muito controversa e muito pouco produtiva", em referência ao governo de Jair Bolsonaro, mas sem citá-lo. Para ele, a desinformação virou um "modo de governar", o que classificou como "perigosíssimo".

"Antes de janeiro de 2023, teremos entre outubro e novembro de 2022 uma discussão muito importante quanto à defesa da democracia, nossa maior riqueza das últimas décadas. Será uma luta entre os que são a favor da democracia e aqueles que não são".

Ao criticar os extremos, Huck afirmou que o País precisa de projetos "populares" e não "populistas". Para ele, a terceira via para ter sucesso tem de se conectar com as ruas, com os brasileiros, e que é necessário acabar com a "desigualdade de oportunidades" que separa ricos e pobres no País.

Questionado sobre temas atuais em discussão no governo Bolsonaro, o apresentador se disse favorável à privatização da Eletrobras e à reforma tributária. No primeiro, contudo, criticou o surgimento de "jabutis" - trechos estranhos ao teor da proposta original. Já no segundo, disse que é necessário "tributar a preguiça", numa referência à cobrança de impostos aos donos de fortunas e heranças, que, na sua visão, não produzem riqueza ao País.

Além das eleições presidenciais, Huck chamou atenção para a necessidade da formação de boas lideranças nos estados e o fortalecimento do "sarrafo ético" no Senado e na Câmara dos Deputados. "Não fossem os governadores e prefeitos, estaríamos mais estropiados ainda na pandemia".

Organizada pelo Parlatório, a Live contou com participantes como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer;, banqueiros como o presidente do Credit Suisse no Brasil, José Olympio, e do UBS, Sylvia Coutinho; os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Luiz Fernando Furlan, além de empresários como Chaim Zaher, Jorge Gerdau, dentre outros.