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Política
NOTÍCIA

Saiba quem é Natalia Pasternak, a cientista ouvida pela CPI da Covid

Doutora em microbiologia pela USP, Natalia Pasternak é crítica ao tratamento precoce e participa de sabatina na CPI da Covid que recebe cientistas

17:48 | 11/06/2021
CPI da Covid ouve a microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Natalia Pasternak (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
CPI da Covid ouve a microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Natalia Pasternak (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Ouvida nesta sexta-feira, 11, na CPI da Covid, a cientista Natalia Pasternak é doutora em microbiologia, na área de Genética Molecular de Bactérias, pela Universidade de São Paulo (USP). De acordo com descrição em seu perfil nas redes, concluiu seus estudos em Ciências Biológicas pela mesma universidade, em 2001. Seu rosto tornou-se conhecido no noticiário durante a pandemia, quando ela alertava para a necessidade de isolamento social e fazia recomendações sobre os cuidados no combate à Covid-19.

Uma das colaborações da pesquisadora no enfrentamento à doença é por meio do projeto Equipe Halo, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne diversos cientistas para esclarecimentos sobre a vacina contra a Covid no aplicativo TikTok.

Em junho do ano passado, Natalia Pasternak chegou a ser entrevista no programa de entrevista Roda Viva e marcou presença em diversos programas para elucidar sobre o combate à doença e as manifestações do vírus até então desconhecido. Sua presença nos meios de comunicação, no entanto, não se limita à TV. Pasternak também é colunista do jornal O Globo, da revista Saúde, da editora Abril; e da revista The Skeptic UK.

Atualmente, a microbiologista atua como diretora-presidente do Instituto Questão Ciência. Segundo descrição nas suas redes, a associação, fundada em 2018, é a primeira do Brasil voltada à “promoção de pensamento crítico e racional, e políticas públicas baseadas em evidências científicas”. A cientista atua também como professora convidada na Fundação Getúlio Vargas e é pesquisadora visitante do Instituto de Ciências Biomédicas (USP), mais precisamente no Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas. No mesmo Instituto, já concluiu outras pesquisas, onde chegou a ser premiada com publicação científica de destaque.

Crítica ao tratamento precoce, a especialista reforça evidências que comprovam a ineficácia da medida. À CPI, Pasternak enfatizou sua posição e afirmou que a defesa desses medicamentos é uma “mentira orquestrada pelo governo federal”. “Não funciona em células do trato respiratório, não funciona em camundongos, não funciona em macacos e também já sabemos que não funciona em humanos”, disse citando testes pré-clínicos que foram realizados.

Sobre casos de pessoas que apresentam uma melhora tomando remédios como cloroquina e ivermectina, ela defende se tratar de uma “evidência anedótica” . “Não são evidências científicas”, contradiz. “Não interessa quantas pessoas a gente conhece que usaram cloroquina e se curaram, isso não se transforma em evidência científica, isso precisa ser investigado”, disse.

A especialista enfatizou que a ciência não é uma questão de opinião, mas que funciona por meio de fatos. Sobre a cloroquina, Pasternak afirmou que o medicamento não tem “plausibilidade biológica” para funcionar, tendo falhado em testes contra outras viroses, como zika, dengue e a chikungunya.

Na oportunidade, a cientista lembrou ainda que a maioria dos vírus são controlados com estratégia de vacinação e que, no caso da pandemia da Covid, essa estratégia precisa estar aliadas a cuidados secundários, como uso de máscara e distanciamento social. “Vacinas são como goleiros, não são infalíveis, mas o desempenho depende também de uma boa defesa”, explica.