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Política
NOTÍCIA

Conheça a trajetória do ministro Ricardo Salles, alvo de operação da Polícia Federal

O ministro do Meio Ambiente é alvo da operação Akuanduba, que investiga suposta exportação ilegal de madeira para Estados Unidos e Europa

18:46 | 19/05/2021
Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ricardo Salles - alvo de investigação da Polícia Federal por suposto esquema de exportação ilegal de madeira - é ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro. A pasta é uma das poucas que não sofreu alteração no comando no decorrer dos três anos de mandato do atual presidente. Antes de tornar-se ministro, Salles foi candidato a deputado federal do Partido Novo pelo estado de São Paulo, nas eleições de 2018. Ele, no entanto, foi expulso da sigla. A decisão foi anunciada no dia 7 de maio de 2020, após deliberação da Comissão Ética do partido.

Salles iniciou a vida pública como secretário particular do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), entre os anos de 2013 e 2014. Logo depois, no ano de 2016, foi nomeado para a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

No comando do Ministério do Meio Ambiente, viu crescer de forma exponencial os índices de desmatamento na Amazônia. Em imagens de satélites do Deter, sistema de monitoramento do Inep, foi possível observar o aumento de 34% do desflorestamento da região entre agosto de 2019 a julho de 2020, no comparativo ao período anterior. Um recorde em cinco anos.

Em reunião ministerial do dia 22 de abril de 2020, que foi divulgada ao público por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, o ministro defendeu “passar a boiada” enquanto as atenções estavam voltadas para a pandemia da covid-19. Com isso, ele sugeriu que o momento era ideal para mudanças na legislação de proteção ambiental e outras áreas que poderiam gerar críticas. Na ocasião, ele afirmou haver uma “lista enorme” de simplificações que poderiam ser feitas sem necessidade de aprovação do Congresso.

Na cúpula do clima em Washington, promovida no último dia 22 de abril, Salles garantiu a redução do desmatamento da Amazônia em até 40% em 12 meses, com a condição de um investimento de US$ 1 bilhão do governo norte-americano. Em carta ao presidente Joe Biden, artistas nacionais e internacionais fizeram um apelo para que o acordo ambiental não fosse fechado. Assinaram o documento o ator Leonardo DiCaprio, a cantora Katy Perry, o músico Gilberto Gil, dentre outras celebridades.

As notícias mais recentes apontam o ministro com alvo de operação da Polícia Federal que investiga suposta exportação ilegal de madeira para Estados Unidos e Europa.

A operação Akuanduba

A operação Akuanduba, deflagrada nesta quarta-feira, 19, foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. O magistrado determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Salles, além do afastamento preventivo de Eduardo Bim do comando do Ibama. Outros servidores da autarquia também foram afastados.

Segundo a PF, a ação investiga supostos crimes como corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando. A suspeita teria partido de denúncias feitas por autoridades estrangeiras sobre "desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de madeira".

Ao todo, cerca de 160 policiais federais cumprem 35 mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal, em São Paulo e no Pará. Um deles foi direcionado a Salles, abordado na manhã desta quarta.

Em notícia-crime apresentada ao STF, o ex-superintendente da PF do Amazonas, Alexandre Saraiva, denunciou o ministro de “tornar legítima” a ação de madeireiros ilegais nas florestas brasileiras. O comunicado precedeu o afastamento do delegado da unidade.

No documento, o oficial apontou que Salles, o senador Telmário Mota (Pros-RR) e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, agiram para dificultar ações de fiscalização ambiental do poder público. Foram apontados ainda indícios de que o grupo tenha praticado crime de advocacia administrativa , que consiste em “patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário”.

Desde o início, setores ambientalistas se mostraram contra a nomeação do ministro para o Meio Ambiente. Em contrapartida, os ruralistas acolheram bem a indicação. Ex-diretor da Sociedade Rural Brasileira e fundador do Movimento Endireita Brasil, Salles já colecionava desgastes da sua gestão como secretário do Meio Ambiente de São Paulo. Quando nomeado ministro, já era alvo de três inquéritos no Ministério Público por improbidade administrativa.

Um das ações apurava suposta interferência no processo de elaboração do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Várzea do Rio Tietê. Outro inquérito investigava a atuação de Salles na negociação do imóvel que abriga o Instituto Geológico, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, junto a uma empreitada considerada “de risco inaceitável” para o Estado. Em terceiro inquérito, o então secretário passou a ser investigado por ter realizado chamamento público, sem autorização legislativa, para a concessão ou venda de 34 áreas do Instituto Florestal.

Em março deste ano, a 1ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente, do Tribunal de Justiça de São Paulo, absolveu, por maioria, o ministro. Ricardo Salles havia sido condenado em primeira instância por improbidade administrativa no período em que era secretário estadual do Meio Ambiente na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB).

O julgamento teve início em outubro de 2020, e foi interrompido quatro vezes. O placar foi 4 a 1 em favor do ministro.