PUBLICIDADE
Política
NOTÍCIA

Câmara de Fortaleza rejeita homenagem a Glenn Greenwald após reação de bolsonaristas

O vereador bolsonarista Inspetor Alberto (Pros) e até alguns da base do governo José Sarto manifestaram contrariedade à homenagem. Fato incomodou petista autor da proposta

Filipe Pereira
18:29 | 19/05/2021
O jornalista Gleen Greenwald anunciou o pedido de demissão do veículo The Intercept, do qual é cofundador (Foto: EVARISTO SA/AFP)
O jornalista Gleen Greenwald anunciou o pedido de demissão do veículo The Intercept, do qual é cofundador (Foto: EVARISTO SA/AFP)

A Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) rejeitou, nesta quarta-feira, 19, por 19 votos contra e 16 a favor, a moção de congratulações e aplausos ao advogado e jornalista Gleen Greenwald, proposta pelo pelo vereador Ronivaldo Maia (PT). O fato de o jornalista ter participado de reportagem investigativa que mirou promotores e juízes na Lava Jato - usado posteriormente como material de defesa do ex-presidente Lula - incomodou vereadores bolsonaristas e até alguns da base do prefeito José Sarto (PDT).

No texto, o petista alega que Glenn "com seu jornalismo de denúncias, contribuiu grandiosamente para a segurança de informações, para a soberania brasileira e a manutenção do estado democrático de direito quando trouxe verdades comprovadas sobre programas de vigilância eletrônica dos EUA, o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Roussef e a operação Lava-Jato".

"Com muita honra e alegria que reconhecemos o talento, a competência e o compromisso deste grande profissional que promove um jornalismo, assim por ele qualificado como corajoso, confrontando uma ampla gama de tópicos como corrupção, politica financeira ou violação de liberdades civis", diz o documento. 

Acesse a cobertura completa do Coronavírus >

Em 2019, a Vaza Jato, termo pelo qual ficou conhecido na imprensa brasileira, resultou do vazamento de conversas, realizadas por meio do aplicativo Telegram, entre o ex-juiz Sergio Moro e o promotor Deltan Dallagnol, além de outros integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato. A divulgação do material foi feita pelo jornalista estadunidense, do periódico virtual The Intercept, a partir de 9 de junho de 2019. 

Meses depois, a Polícia Federal prendeu o hacker responsável pela invasão dos celulares como parte da Operação Spoofing. Apesar de Glenn não responder a nenhum processo e não estar envolvido em nenhuma irregularidade perante a lei, o pedido de moção incomodou parlamentares bolsonaristas na Câmara. Entre eles, o mais combativo foi o vereador Inspetor Alberto (Pros).

"O cara, ele gravou o Supremo e o presidente. Para mim, esse cara é um bandido e vagabundo, tanto que o jornal botou ele para fora. O cara saiu fugido dos EUA, se alia ao povo da esquerda e faz crime com esses hackers que foram presos. Eu tenho nojo desse cara, eu não tenho nada a ver com a vida sexual dele, mas o cara é bandido", defende Alberto. 

"Também teve o Inspetor Alberto, que é um personagem. Ele não está ali para construir e expressar muito. No requerimento, eu afirmou a certeza do acerto da propositura e eu quero agradecer aos pares que votaram pelo sim. Respeito os colegas que optaram pelo não, mas lamento que a Câmara não possa ter expressado o reconhecimento ao jornalismo investigativo na pessoa do jornalista", afirma Ronivaldo. 

Além do vereador bolsonarista, o tucano Jorge Pinheiro e outros parlamentares da base do governo Sarto também manifestaram contrariedade. "Ele não é hacker e o Jorge Pinheiro sabe disso. Eu acompanhei o companheiro Jorge Pinheiro, que posa de beato, de homem da religião, mas é maldade de gente boa", completa o petista. A reportagem tentou contato com Pinheiro, mas não obteve retorno.