PUBLICIDADE
Política
NOTÍCIA

Declarações de Bolsonaro sobre a China prejudicam liberação de insumos para a vacina, diz diretor do Butantan

Nesta quarta-feira, 5, o presidente especulou que o vírus da Covid-19 teria sido criado em um laboratório na China. Ele falou ainda em "guerra química"

18:02 | 06/05/2021
Diretor do Butantan alerta que declarações de Bolsonaro sobre a China prejudica a liberação de insumos para a vacina (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Diretor do Butantan alerta que declarações de Bolsonaro sobre a China prejudica a liberação de insumos para a vacina (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

A direção do Instituto Butantan, responsável pela produção e distribuição da CoronaVac no território nacional, afirmou nesta quinta-feira, 6, que as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a China afetam a liberação de insumos pelo país.

"Embora a embaixada da China no Brasil venha dizendo que não há esse tipo de problema, a nossa sensação de quem está na ponta é que existe dificuldade, uma burocracia que está sendo mais lenta do que seria habitual. Então, obviamente essas declarações têm impacto e nós ficamos à mercê dessa situação", afirmou o diretor do Instituto, Dimas Covas.

Nesta quarta-feira, 5, o presidente sugeriu que o vírus foi criado em um laboratório na China. Para atestar sua afirmação, ele insinuou que o país asiático se favoreceu economicamente durante a pandemia. “Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, declarou.

Bolsonaro também levantou a hipótese de uma “guerra química” . “É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?”, indagou.

Segundo Covas, “todas as declarações neste sentido têm repercussão”. O diretor explicou que até dia 14 de abril há garantia de entrega de um lote que totaliza 5 milhões de doses, mas, depois disso, a matéria-prima esgota. "Pode faltar [insumos]? Pode faltar. E aí nós temos que debitar isso principalmente ao nosso governo federal que tem remado contra. Essa é a grande conclusão", afirmou.

O diretor revelou ainda que a próxima liberação de insumos teve a data de autorização adiada do dia 10 para o dia 13. Além disso, o volume previsto seria de 6 mil litros, e agora a expectativa é de 2 mil litros. Para ele, a mudança é uma determinação das autoridades chinesas.

Covas também se contrapôs ao presidente sobre suas especulações de como o vírus teria se originado. Para ele, se tratam de informações "mentirosas" e "mirabolantes". “A Organização Mundial de Saúde fez uma auditoria, podemos dizer assim, e deixou muito claro quais as condições de surgimento desse vírus, esse relatório foi disponibilizado para o mundo, não resta nenhuma dúvida. E outro ponto, a China fez o que o Brasil não fez, a China controlou o vírus", argumentou.

A declaração de Bolsonaro também despertou a reação do deputado Fausto Pinato (PP-SP), líder da Frente Parlamentar Brasil-China. Em nota, ele manifestou preocupação sobre um suposto “desvio de personalidade” do presidente. “A meu ver, não se trata de uma pessoa irresponsável, desequilibrada e sem noção de mundo. Na verdade, pode tratar-se de uma grave doença mental que faz o nosso presidente confundir realidade com ficção”, declarou. O documento recomenda ainda “interdição civil” contra Bolsonaro.