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Política
NOTÍCIA

Fala de Bolsonaro sobre uso do Exército contra isolamento incomoda militares, afirma jornal

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, manifestação chegou negativamente a membros da cúpula militar, que consideram a atitude um enfretamento a governadores e prefeitos

Filipe Pereira
17:38 | 24/04/2021
Bolsonaro responsabiliza prefeitos e governadores por desemprego (Foto: )
Bolsonaro responsabiliza prefeitos e governadores por desemprego (Foto: )

O pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), neste sábado, em Manaus, incomodou altos oficiais das Forças Armadas. O mandatário falou sobre uso do Exército contra medidas de restrição para combater a Covid-19.

Em entrevista de TV, Bolsonaro afirmou: "nossas Forças Armadas podem ir para rua um dia sim (...) para fazer cumprir o artigo 5º [da Constituição]: o direito de ir e vir, acabar com essa covardia de toque de recolher, direito ao trabalho, liberdade religiosa". Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a manifestação chegou negativamente a membros da cúpula militar. 

O jornal afirma que membros da ala militar avaliaram que o presidente confunde conceitos e usa sua posição de comandante-em-chefe da Forças Armadas de forma política, para pressionar adversários como os governadores João Doria (PSDB-SP) e Rui Costa (PT-BA). A consideração de Bolsonaro também já foi refutada por integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Não é a primeira vez que a fala presidencial incomoda membros do Exército. Em 2020, Bolsonaro foi acusado de arbitrariedade ao insinuar que "o meu Exército" iria combater as restrições. "Nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar iremos para a rua não para manter o povo dentro de casa, mas para reestabelecer todo o artigo 5º da Constituição. E se eu decretar isso, vai ser cumprido", reforçou neste sábado. 

Em Manaus, o presidente defendeu que as medidas para coibir a circulação do novo coronavírus são as responsáveis por desemprego e miséria. O gestor, por seguidas vezes, criticou o Supremo por "lamentavelmente" ter dado poderes aos governadores e prefeitos. Contudo, a decisão da Corte visava apenas permitir ações locais consideradas fundamentais para o combate da pandemia, e não eximiu a União de também agir com esse objetivo.