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Política
NOTÍCIA

Ciro perde processo para autores da reportagem "O esquema cearense" e terá de pagar R$ 13 mil

O processo foi movido em razão da reportagem intitulada "O esquema cearense", publicada nas eleições de 2018, quando o pedetista era candidato a presidente da República

Filipe Pereira
11:57 | 08/04/2021
Ciro Gomes: inquérito instaurado pela PF (Foto: REPRODUÇÃO)
Ciro Gomes: inquérito instaurado pela PF (Foto: REPRODUÇÃO)

O ex-governador Ciro Gomes (PDT) perdeu processo por danos morais que moveu na Justiça de São Paulo contra a revista "Veja" e os jornalistas Nonato Viegas e Hugo Marques. O processo foi movido em razão da reportagem intitulada "O esquema cearense", publicada nas eleições de 2018, quando o pedetista era candidato a presidente da República pelo PDT. Agora, ele terá de pagar R$ 13,1 mil aos advogados dos jornalistas.

O texto da matéria afirmava que a Procuradoria Geral da República apurava a existência de um esquema de extorsão contra empresários cearenses e afirmava que o ex-tesoureiro Niomar Calazans (Pros) envolvia Ciro no caso. Na reportagem, Niomar dizia que o esquema era utilizado para financiar campanhas eleitorais e que Ciro e seu irmão, o senador Cid Gomes (PDT), haviam comprado por R$ 2 milhões o controle do partido no Ceará durante as eleições de 2014.

Ciro defendeu no processo que o conteúdo jornalístico havia sido veiculado no mesmo dia em que teve início o horário eleitoral na TV e no rádio, tendo com objetivo ferir a sua candidatura para presidente. Pedindo R$ 100 mil de indenização, o então presidenciável reforçou ainda que jornalistas "extrapolaram a liberdade de imprensa" para "atacar, ofender e manchar, de forma falaciosa e irresponsável", a sua reputação, vinculando-o "de forma inverídica" aos escândalos da Lava Jato. 

Não aceitando a argumentação, a Justiça de São Paulo, por meio do juiz Rogério de Camargo Arruda, disse em sua sentença que a publicação não extrapolou o direito de informar, estando lastreada em fatos de interesse público. Ele considerou a reportagem baseada não apenas na entrevista, mas também em delações premiadas homologadas na Lava Jato. Ciro recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça, mas também não obteve sucesso.