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Política
NOTÍCIA

Nota pró-democracia reforça estratégia para criar 3ª via alternativa a Lula e Bolsonaro

Documento deixou de lado atores políticos de partidos de esquerda como PT, Psol e PCdoB; dentre eles o ex-presidente Lula

16:18 | 01/04/2021
Seis presidenciáveis assinam nota pró-democracia  (Foto: ARQUIVO O POVO )
Seis presidenciáveis assinam nota pró-democracia (Foto: ARQUIVO O POVO )

A nota pró-democracia divulgada na última quarta-feira, 31, por seis possíveis presidenciáveis nas eleições de 2022 reforçou, além da defesa do Estado democrático de direito, uma disputa política pela formação da frente ampla que deve rivalizar com o grupo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e, ao mesmo tempo, ser alternativa para uma possível candidatura do ex-presidente Lula, no pleito do ano que vem.

O texto, assinado por nomes como Henrique Mandetta (DEM); Luciano Huck; Ciro Gomes (PDT); João Amoêdo (Novo) e pelos governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), deixou de lado atores políticos de partidos de esquerda como PT, Psol e PCdoB; como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para o presidente do PT Fortaleza, Guilherme Sampaio, a ausência da “mais expressiva liderança de oposição entre os possíveis candidatos à presidência (...) diminui o peso político do documento”. Segundo ele, a exclusão foi intencional e "diminui também a estatura política de seus autores, que ao agir assim se revelam pequenos diante das grandes causas que devem unir o País num momento que pede um estadista”, defende.

Paula Vieira, cientista política vinculada ao Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia, aponta que a democracia brasileira, de 1988 (redemocratização) para cá, foi construída com base em uma “alternância de poder” entre PT e PSDB. “Eles sempre foram protagonistas. Estamos num cenário onde temos vários atores que participaram dessa disputa. Ciro, hoje do PDT, já foi do PSDB. Temos o Tasso, que não está se colocando como candidato, mas é um nome na articulação tucana no eixo Nordeste-São Paulo”.

A pesquisadora analisa ainda que há uma disputa entre petistas e tucanos para ver quem vai formar essa frente ampla, o que desgasta a ideia original de união entre legendas. “O PT quer ser a vanguarda desse movimento. Então ele não vai ser procurado por esses outros partidos, que vão construir uma nova proposta de frente ampla”, explica, afirmando que o PT tentará "aglutinar todas as forças de esquerda perto dele no primeiro turno eleitoral".

“Mesmo que todos lancem candidatos no primeiro turno, esses partidos (de Centro) não vão se posicionar como adversários diretos. É isso que quer dizer essa nota (...) E aí a gente volta à disputa dos anos democráticos mais recentes entre PSDB e PT”, encerra.

O documento foi iniciativa do ex-ministro da Saúde Mandetta, que procurou os demais signatários. Segundo organizadores, por ser uma iniciativa do centro, Lula não foi procurado. "Foi uma iniciativa do centro, mas a partir daí a adesão pode ser ampla", disse o presidente Nacional do DEM, ACM Neto. Em termos eleitorais, na verdade, isso representa a tentativa de se criar uma alternativa tanto a Bolsonaro como a Lula. 

A manifestação pró-democracia ocorreu um dia após o presidente Jair Bolsonaro anunciar as trocas do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva; e dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.