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Política
NOTÍCIA

Fiocruz desmente deputado Delegado Cavalcante sobre produção de vacinas pela instituição no Ceará

Em vídeo, o parlamentar afirma que um novo complexo tecnológico da Fiocruz na cidade de Eusébio irá "quadruplicar" a produção de vacinas contra a covid-19 a partir da metade do ano.

Filipe Pereira
15:42 | 26/03/2021
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Ceará desmente deputado estadual Delegado Cavalcante (PSL) sobre fabricação de vacinas.  (Foto: Reprodução/Facebook)
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Ceará desmente deputado estadual Delegado Cavalcante (PSL) sobre fabricação de vacinas. (Foto: Reprodução/Facebook)

É inverídica a informação publicada pelo deputado estadual Delegado Cavalcante (PSL) sobre um complexo tecnológico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na cidade de Eusébio, no Ceará, capaz de “quadruplicar” a produção de vacinas contra a covid-19 a partir da metade do ano. No vídeo, compartilhado nas redes sociais do parlamentar em 19 de março, o bolsonarista utilizada da narrativa para elogiar a atuação do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia.

No conteúdo, enquanto se coloca na frente aos portões da sede da Fiocruz/Ceará, no Eusébio, o deputado aparece chamando o público para uma "informação muito importante". O vídeo teve mais de 42 mil visualizações e ultrapassou 2,3 mil compartilhamentos no Facebook. Em pronunciamento, Cavalcante afirma que a estrutura possui, em sua terceira fase do projeto, a criação de uma fábrica de insumos para "fabricação de vacinas contra o Covid-19". Ele alega que o projeto em andamento teve investimento do governo federal de quase R$ 1 bilhão na obra. 

Após mencionar, de forma confusa, uma distribuição de 1 bilhão de vacinas contra a Covid-19 a partir do dia 1º de março pela Fiocruz, o parlamentar acrescenta: “A partir do meio do ano, mais ou menos, quando o complexo ficar pronto, vai quadruplicar a produção. Nós vamos ter na faixa de 4 milhões de vacinas por dia.” 

O bolsonarista critica a suposta desinformação promovida pela "esquerda e a mídia paga e afirma que o projeto, negociado em junho de 2020, "já está sendo colocado em prática" e próximo de ficar pronto. "Estamos falando a verdade para vocês. Um grande projeto situado aqui no Eusébio. Vai ser fabricado aqui no estado os insumos pra fabricação de vacinas onde a fábrica fica no Rio de Janeiro. O governo Bolsonaro salvando vidas", alega, enquanto começa a mostrar partes do complexo.

No entanto, a informação foi negada pela Fiocruz no Ceará. Diferente do que afirma Cavalcante, a instituição  publicou uma nota informando que as ações para a construção do Complexo Tecnológico em Insumos Estratégicos em Eusébio (CTIE) estão em fase de elaboração do projeto executivo das áreas administrativas, de Desenvolvimento Tecnológico e do almoxarifado. Apenas no final de 2021 a primeira fase das obras deve iniciar. Logo, ainda não há previsão para que a unidade venha a funcionar. 

Segundo a Fundação, a área para produção de Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs) será destinada, inicialmente, à produção de IFAs de biofármacos, mas também poderá ser utilizada para a produção de IFAs de vacinas. No entanto, não há previsão de produção do IFA da vacina Covid-19 na futura planta localizada no Eusébio – pelo menos em curto ou médio prazo. 

"O IFA da vacina COVID-19 será produzido no Rio de Janeiro, na planta industrial de Bio-Manguinhos que se encontra em adaptação para esta finalidade", afirma a nota. A Fiocruz acrescenta que há previsão de se quadruplicar a capacidade atual de processamento final das vacinas produzidas por Bio-Manguinhos como um todo, porém, a iniciativa deve ser realizada no projeto de outra planta industrial em fase de construção em Santa Cruz (RJ). 

Na última quarta-feira, 23, a Fiocruz divulgou o atual cronograma de entrega de vacinas contra a Covid-19. Segundo a instituição, "por tratar-se de uma nova tecnologia e da complexidade de implantação da produção da vacina Covid-19", foram necessários ajustes no cronograma de entregas do Bio-Manguinhos ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

Cronograma de previsão de entregas:

Março – 3,9 milhões
Abril – 18,8 milhões
Maio – 21,5 milhões
Junho – 34,2 milhões
Julho – 22 milhões