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Política
NOTÍCIA

Alvo de inquérito da PF por críticas a Bolsonaro, Ciro responde a outros 74 processos

Somente no Ceará, Ciro responde a outros 74 processos por conta de 244 declarações, segundo levantamento feito no sistema do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE).

12:11 | 23/03/2021
Ciro Gomes (Foto: Evaristo Sá/AFP)
Ciro Gomes (Foto: Evaristo Sá/AFP)

O ex- ministro e ex-governador Ciro Gomes (PDT) é o mais novo alvo de investigação da Polícia Federal por suposto crime contra honra do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido). O inquérito foi aberto a partir de pedido do próprio presidente e encaminhado pelo Ministério da Justiça. O motivo: Ciro chamou Bolsonaro de “ladrão” em entrevista à Rádio Tupinambá, de Sobral, em novembro do ano passado.

Apesar de repudiar a ação - no twitter o ex-candidato descreveu como uma tentativa grave de “intimidar opositores e adversários” por parte do presidente - Ciro não se mostrou intimidado com a notificação e confessou que ao saber não deu “muita bola”. Talvez porque não seja a primeira vez que o ex-governador é alvo de processos por acusações e xingamentos.

Somente no Ceará, Ciro responde a outros 74 processos por conta de 244 declarações, segundo levantamento feito no sistema do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE).

Essas ações foram movidas por pelo menos 30 pessoas diferentes. Em oito desses casos, Ciro foi condenado a pagar indenização, sendo seis dessas decisões decorrentes de ações movidas pelo ex-senador Eunício Oliveira (MDB), que somam, ao todo, indenizações de R$ 82 mil.

Eunício é responsável pela abertura de 36 processos na Justiça local contra o pedetista, além de outros oito que foram movidos por aliados do ex-senador. Alvo principal de Ciro em 2014, quando disputou o Governo do Ceará contra Camilo Santana (PT), Eunício foi chamado de “aventureiro, lambanceiro, gangster, riquinho”. Ciro também o classificou como “uma mistura de pinóquio com irmão metralha”.

O ex-governador também foi condenado em R$ 20 mil por acusar, em 2014, o deputado Capitão Wagner (Pros) de ser “chefe de milícias” na Polícia Militar do Ceará. As outras duas condenações do pedetista na Justiça do Ceará são de acusações contra o empresário Carlos Gualter Lucena, irmão do ex-vice prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena (MDB).

Os 74 processos por danos morais movidos contra o ex-ministro na Justiça do Ceará somam, ao todo, 244 acusações e xingamentos diferentes. Na lista de ataques, os mais comuns envolvem, além de acusações de desvio de dinheiro público, alcunhas de "marginal” e “quadrilheiro”.

 

Acusações de apropriação de recursos públicos motivam pelo menos 26 processos contra o ex-ministro, a maioria movidos pelo ex-senador Eunício Oliveira, a quem Ciro frequentemente acusava de ter “enriquecido enquanto senador através de contratos malversados com a Petrobras”. Em seis dessas ações, o pedetista já foi condenado a pagar indenizações, mas ainda recorre da sentença.

O xingamento de "marginal” aparece logo depois na lista, citado em 22 processos. A maioria delas foi movida por representantes de policiais militares ou pelo deputado federal Capitão Wagner. Outro ataque frequentemente usado por Ciro contra PMs é a acusação de ligações com o tráfico de drogas, que embasam 18 processos.

confira frases que levaram Ciro à Justiça: 

Vale destacar que o levantamento foi realizado no portal do TJ-CE. Processos contra Ciro podem ter sido abertos no Judiciário de outros estados e o ex-ministro, por sua vez, pode responder a ainda mais ações.

Como em 2012, quando o pedetista foi condenado na Justiça de São Paulo a pagar R$ 100 mil ao ex-presidente da República e hoje senador Fernando Collor de Mello (Pros-AL). A ação teve como base entrevista de 1999, onde o ex-ministro qualifica Collor como "safado”, “playboy sem vergonha" e o acusa de consumir cocaína. Nesse caso, não cabe recurso.