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Política
NOTÍCIA

Novo ministro da Saúde teve passagem relâmpago pelo Republicanos, do Centrão

19:23 | 20/03/2021

O futuro ministro da Saúde Marcelo Queiroga teve uma passagem relâmpago pelo Republicanos, um dos principais partidos do chamado "Centrão", antes de ser indicado para o comando da pasta hoje liderada pelo general Eduardo Pazuello.

A legenda recebeu o pedido de filiação de Queiroga em março do ano passado, mês em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) caracterizou o novo coronavírus como pandemia.

Marcelo Antonio Cartaxo Queiroga Lopes pediu a filiação pelo Estado da Paraíba. A solicitação foi acatada em 17 de março de 2020, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No site do TSE, ele ainda consta como membro do partido.

Mas em 5 de janeiro deste ano, dois meses antes de ser indicado para o ministério e sem completar dez meses como um associado, seu nome foi retirado do Republicanos "a pedido do eleitor". As informações foram confirmadas pelo líder do partido na Câmara, Hugo Motta (PB). O deputado disse que o cadastro no site do TSE está desatualizado.

A passagem do futuro ministro pelo partido foi uma surpresa para o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP). O deputado disse que desconhecia a informação e garantiu que não houve influência do Republicanos nessa indicação.

O Republicanos, ex-PRB, é um partido ligado à Igreja Universal, liderada pelo bispo Edir Macedo, tio do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella e também filiado à legenda.

Os evangélicos são uma das principais bases de apoio do governo de Jair Bolsonaro. As pesquisas mostram que eles se mantêm firmes nesse suporte ao presidente, mesmo no momento mais intenso da queda de sua popularidade.

Em meio ao momento mais crítico da pandemia no Brasil, Queiroga ainda não assumiu o Ministério da Saúde porque não se desvinculou das empresas das quais é sócio: Cardiocenter Centro de Diagnóstico e Tratamento das Doenças Cardiológicas e Centro de Cardiologia Não Invasiva da Paraíba, ambas localizadas em João Pessoa (PB). Em uma delas, ele consta como administrador, como revelou o Estadão.

Uma lei de 1990 proíbe que servidores públicos sejam sócio-administradores de empresas privadas, informação que pode ser obtida pela Receita Federal. Procurado para comentar sua relação com partidos políticos, ele não retornou os contatos da reportagem.