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Política
NOTÍCIA

O PT polariza desde 1989, recorda Lula, projetando 2022 contra Bolsonaro

Enquanto alguns segmentos, sobretudo do centro, rendem críticas ao verbo "polarizar", Lula se apropria dele. Diz abertamente que esta é a intenção do PT, por saber que a legenda ainda é a força de maior relevo no polo que se opõe ao presidente

Carlos Holanda
14:00 | 10/03/2021
Lula no pronunciamento após condenações contra ele terem sido anuladas      Caption (Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP)
Lula no pronunciamento após condenações contra ele terem sido anuladas Caption (Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP)

O ex-presidente Lula disse em coletiva de imprensa que o Partido dos Trabalhadores (PT) polariza disputas eleitorais desde 1989, quando, nas próprias palavras, era "um zé ninguém", enfrentou Fernando Collor de Mello e perdeu. 

Na sequência dos anos, segundo recordou o petista, as disputas nacionais foram protagonizadas por PT e PSDB. 

O ex-presidente fez breve resgate histórico para projetar 2022, externando que sua expectativa é de que o desenho eleitoral se assemelhe ao dos anos passados, ou seja, se dê com o PT e Jair Bolsonaro (sem partido) - representando a direita e a extrema-direita - em lados opostos. 

"A gente pode polarizar com quem quer que seja, desde que seja a esquerda polarizando com a direita."

Enquanto alguns segmentos colocam no centro de suas críticas a palavra polarização, Lula se apropria dela. Diz abertamente que esta é a intenção do PT por saber que a legenda ainda é a força de maior relevo no polo que se opõe a Jair Bolsonaro. 

LEIA TAMBÉM: Lula fala como candidato, assume liderança da oposição e se apresenta como contraponto a Bolsonaro

Ele não respondeu abertamente se será o nome da agremiação na disputa, embora seja o mais cotado após decisão de Edson Fachin, do STF. O ministro da Suprema Corte anulou todas as condenações no âmbito da Lava Jato que o impediam de ser candidato.

De volta à possibilidade do jogo eleitoral, o petista afirmou que no momento certo se dedicará à construção de alianças.

Citou o Congresso Nacional, frisando que aquele espaço não é composto somente por esquerdistas, num modo de dizer que irá à classe política travar esses diálogos independentemente de espectros ideológicos.

Na prática, a fala de Lula quer dizer que o PT fará mais uma vez movimentos ao centro e até à centro-direita quando a disputa iniciar.

Ao descrever as características da próxima aliança nacional, o líder petista citou José de Alencar (então no PL), empresário que foi seu vice em 2002, naquela campanha presidencial que terminaria vencendo José Serra (PSDB). A fala dele também alcançou partidos de esquerda.

A considerar a análise de Lula, o PT andará pelo menos do Psol ao Democratas de Rodrigo Maia.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, aliás, fez aceno ao petista logo que o discurso dele foi encerrado. O demista o comparou com Bolsonaro, colocando uma linha entre os dois.

Segundo Maia, Lula demonstra ter visão de País, ao passo que o capitão do Exército "só enxerga o próprio umbigo."

Nessa segunda-feira, 8, Arthur Lira (PP-AL), atual presidente da Câmara dos Deputados, publicou nas redes sociais que Lula poderia "até merecer" o benefício político contido na decisão de Fachin, mas Moro - o de não ter a suspeição julgada -, jamais. 

Grupos bolsonaristas nas redes ficaram inicialmente estáticos com a manifestação do alagoano, recentemente apoiado por Bolsonaro ao principal assento da Câmara, como se uma interrogação estivesse se instalado entre apoiadores do presidente.

Em seguida, reprovaram a fala de Lira. Por mais que tenha mirado no ex-juiz, o comentário do deputado resvalou mais destacadamente no petista.

Outra interpretação foi de que aquela publicação teria demonstrado um movimento embrionário dessas forças, já ensaiando desembarque numa eventual candidatura de Lula. Uma questão de força gravitacional.