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Política
NOTÍCIA

Em carta, Camilo e outros 13 governadores pedem esforço "imediato" de Bolsonaro para agilizar compra de vacinas

Chefes do Executivo de 14 estados solicitam que o presidente promova diálogo com outros países e OMS para ter acesso a mais imunizantes.

Filipe Pereira
11:14 | 05/03/2021
Camilo Santana (Foto: CARLOS GIBAJA/ GOV. DO CEARA)
Camilo Santana (Foto: CARLOS GIBAJA/ GOV. DO CEARA)

Governadores de 14 estados encaminharam, na noite desta quinta-feira, 4, ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) uma carta em que pedem "imediata adoção de providências" para compra de vacinas contra Covid-19 junto a outros países e entidades internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS). Os gestores estaduais alegam que apesar de terem envidado todos os esforços possíveis, ainda sim, estão no “limite de suas forças e possibilidades”. Entre os gestores que assinam o pedido está o governador do Ceará Camilo Santana (PT), que decretou novo lockdown em Fortaleza a partir desta sexta-feira, 5, com duração de 14 dias.

Ao destacar "todos os esforços possíveis", com a instalação de leitos de UTI, contratação de profissionais de saúde, compra de equipamentos e campanhas de conscientização do uso de máscara e distanciamento social, o documento alega que a pandemia "seguirá ceifando vidas, ameaçando, desafiando e entristecendo todos", caso maiores esforços não sejam tomados pelo Planalto.  

Com o objetivo de obter, "em curto prazo", mais vacinas, os governadores pedem ainda o envolvimento dos ministérios da Saúde e das Relações Exteriores. A variante brasileira da Covid-19, segundo os gestores, justifica o envolvimento imediato da OMS. "O mundo acompanha com preocupação o rápido avanço do contágio por essa variante no Brasil, o que torna o bloqueio da disseminação desse tipo de vírus matéria de interesse de diversas nações, inclusive porque outras variantes podem dela advir. Caso seja possível, sugerimos também o requerimento de apoio e intermediação da Organização Mundial da Saúde", orientam. 

A mensagem destaca ainda a adoção de outras práticas de higiene, medida já praticada por outros países. No documento, os governadores avaliam que o percentual de imunização do Brasil ainda é muito baixo e pedem "esforço político e diplomático de todos a fim de garantir, desde logo, novos carregamentos de vacinas". 

Assinam a carta:

de Alagoas, Renan Filho (MDB); Amapá, Waldez Goés (PDT); Bahia, Rui Costa (PT); Ceará, Camilo Santana (PT); Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB); Maranhão, Flávio Dino (PCdoB); Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM); Pará, Hélder Barbalho (MDB); Paraíba, João Azevêdo (Cidadania); Pernambuco, Paulo Câmara (PSB); Piauí, Wellingon Dias (PT); Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT); Rio Grade do Sul, Eduardo Leite (PSDB); e Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD).

Confira carta na íntegra:

Os Governadores dos Estados abaixo assinados solicitam ao Presidente da República Federativa do Brasil imediata adoção das providências necessárias a fim de viabilizar a obtenção – junto a entidades estrangeiras e organismos internacionais – de novas doses de imunizantes contra a Covid19, de modo a auxiliar no controle do aumento exponencial dos casos de infecção e do número de óbitos pelo coronavírus, conforme observado nos últimos dias em todo o território nacional.

Os Entes Federados têm envidado todos os seus esforços, mas estão no limite de suas
forças e possibilidades. Nos últimos meses, instalaram milhares de novas vagas em Unidades de Terapia Intensiva, contrataram profissionais de saúde de diversas áreas e viabilizaram a compra de equipamentos, além de investirem em medidas como o distanciamento social e a orientação da população por meio de estratégias claras de comunicação. Esse conjunto de ações, ainda que
indispensável, demonstra estar próximo do exaurimento. Ninguém discorda de que, nas próximas semanas, talvez meses, a pandemia seguirá ceifando vidas, ameaçando, desafiando e entristecendo todos nós.

Nesse contexto, a vacinação em massa, com a maior brevidade possível, é a alternativa
que se afigura como a mais recomendável, e, provavelmente, a única capaz de deter a pandemia,
permitindo que o Brasil, seus Estados e Municípios, aos poucos, possa retornar à normalidade, com as devidas medidas sanitárias e econômicas. Reconhecemos que, neste grave momento, há no mundo uma extraordinária procura por vacinas, junto a diferentes fornecedores.

Acompanhamos o anúncio de novas aquisições pelo Ministério da Saúde, mas também percebemos que é preciso agilizar mecanismos de compra, explorar e concretizar todos os meios de aquisição disponíveis, para vacinar, no menor espaço de tempo possível, a maior quantidade de brasileiros. Se não tivermos pressa, o futuro não nos julgará com benevolência.

Por isso, pedimos ao Governo Federal, especialmente por meio dos Ministérios da Saúde e das Relações Exteriores, esforço ainda maior para obter, em curto prazo, número consideravelmente superior de doses. Caso seja possível, sugerimos também o requerimento de apoio e intermediação da Organização Mundial da Saúde.

Neste momento, há novas, reais e importantes justificativas para que o Brasil obtenha,
com celeridade, novas remessas de imunizantes, a principal delas é a chegada e a rápida disseminação, já no estágio de transmissão comunitária, da nova variante P1, que tem se revelado ainda mais letal, prejudicando os esforços para proteger a vida de nossas cidadãs e cidadãos, bem como de suas famílias.

O mundo acompanha com preocupação o rápido avanço do contágio por essa variante no Brasil, o que torna o bloqueio da disseminação desse tipo de vírus matéria de interesse de diversas nações, inclusive porque outras variantes podem dela advir. O percentual de vacinas aplicado no Brasil, a despeito do empenho de Governadores, Prefeitos e profissionais da saúde em todo o País, ainda é muito baixo e, no ritmo atual, infelizmente, atravessaremos o ano lamentando a irreparável perda de vidas, além da baixa expectativa de imunizar efetivamente todos os grupos prioritários. Os exemplos cada vez mais bem-sucedidos de países que estão contendo a pandemia por meio da vacinação, combinada com outras práticas de prevenção e
higiene, não remete a outro caminho que não seja o esforço político e diplomático de todos – liderado no plano das relações internacionais pelo Governo brasileiro – a fim de garantir, desde logo, novos carregamentos de vacinas.

Esses imunizantes são hoje para o Brasil e para os brasileiros muito mais do que uma
alternativa ou medicamento: representam a própria esperança da população e, nesse sentido, nenhum governante pode correr o risco de não esgotar todas as possibilidades ou de procrastinar ações e procedimentos. Cada minuto, cada hora e cada dia são preciosos e decisivos, e constituem a triste diferença entre viver ou morrer.

Por fim, os Governadores que subscrevem este documento estão, como sempre
estiveram, à disposição para colaborar para a consecução das medidas propostas, e confiam que o Governo Federal pode acelerar os procedimentos necessários – utilizando a importância geopolítica, histórica e econômica do Brasil – à obtenção de novos aportes de imunizantes para a população brasileira.

Brasília, 4 de março de 2021.

 

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