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Política
NOTÍCIA

"Precisamos atingir Lula na cabeça", escreve promotora para procuradores da Lava Jato

As mensagens foram enviadas um dia depois de Lula ser conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal, no dia 5 de março de 2016

11:24 | 12/02/2021
A defesa de Lula tenta provar que a operação foi parcial e o ex-presidente era considerado um "inimigo" (Foto: Divulgação)
A defesa de Lula tenta provar que a operação foi parcial e o ex-presidente era considerado um "inimigo" (Foto: Divulgação)

Novas mensagens trocadas por procuradores da Lava Jato foram entregues por meio de petição da defesa do ex-presidente Lula nesta sexta-feira, 12, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nos textos, os procuradores comentam a necessidade de "atingir Lula na cabeça" para vencer "as batalhas já abertas" pela Operação.

As mensagens foram enviadas um dia depois de Lula ser conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal, no dia 5 de março de 2016. As conversas foram obtidas por meio da Operação Spoofing de um hacker que invadiu celulares de autoridades. Os procuradores também comentam que "atingir ministros do STF" naquele momento poderia causar brigas "com todos ao mesmo tempo". As informações são da Folha de S. Paulo e do Estadão.

Os advogados de Lula pretendem usar o material, apreendido na investigação aberta contra o grupo de hackers processado pela invasão dos celulares de diversas autoridades, incluindo o ex-ministro Sérgio Moro e procuradores de Curitiba, para reforçar as acusações de que o grupo agiu com parcialidade e de que o então juiz encarou o petista como "inimigo" ao condená-lo a nove anos e meio de prisão no caso do tríplex do Guarujá (SP).

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Os textos são atribuídos à procuradora Carolina Rezende que, na época, integrava a equipe do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. "Depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1), pra nós da PGR, acho q o segundo alvo mais relevante seria Renan", escreve ela. "Por outro lado, aqueles outros (lula e Renan) pra nós hj são essenciais p vencermos as batalhas já abertas", ressalta também.

O outro nome mencionado, além de Lula, é do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que aparece como alvo preferencial dos investigadores. No mesmo dia da troca de mensagens, segundo diálogos da petição enviada ao STF, os procuradores da força-tarefa combinam a divulgação de uma nota a favor do ex-juiz Sergio Moro questionado por determinar a condução coercitiva do ex-presidente.

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A procuradora ainda opina sobre a situação. "Coitado de Moro.. Não ta sendo fácil. Vamos torcer pra esta semana as coisas se acalmarem e conseguirmos mais elementos contra o infeliz do Lula", completou nas mensagens.

Segundo a defesa do petista, baseada nos diálogos, a Lava Jato "atuava não apenas com o objetivo de devassar e produzir qualquer coisa" contra Lula, como ainda escondia "provas de sua inocência". 

Na última manifestação oficial antes do julgamento, na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que ia decidir sobre o compartilhamento de mensagens da Operação Spoofing com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os procuradores que fizeram parte da força-tarefa da Lava Jato classificaram como uma "farsa" a narrativa da defesa do petista em torno dos diálogos.

Confira parte da transcrição da fala da promotora Carolina Rezende, apresentada pela defesa de Lula:

"Pessoal, fiquei pensando que precisamos definir melhor o escopo pra nós dos acordos que estão em negociação. Depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1), pra nós da PGR, acho q o segundo alvo mais relevante seria Renan. Sei que vocês pediram a ODE [empreiteira Odebrecht] que o primeiro anexo fosse sobre embaraço das investigações. Achei excelente a ideia mas agora tenho minhas dúvidas se o tema é prioritário e se é oportuno nesse momento. Não temos como brigar com todos ao mesmo tempo. Se tentarmos atingir ministros do STF, por exemplo, eles se juntarão contra a LJ, não tenho dúvidas. Tá de bom tamanho, na minha visão, atingirmos nesse momento o min mais novo do STJ. acho que abrirmos mais uma frente contra o Judiciário pode ser over. Por outro lado, aqueles outros (Lula e Renan) temas pra nós hoje são essenciais para vencermos as batalhas já abertas".