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Política
NOTÍCIA

Biden começa a desmantelar polêmico programa migratório de Trump

A iniciativa de Trump obrigou dezenas de milhares de requerentes de asilo a permanecer na fronteira à espera da resolução de seus casos

08:42 | 12/02/2021
Requerentes de asilo de Honduras esperam em uma estação de ônibus depois que foram liberados das autoridades de imigração dos EUA em 08 de fevereiro de 2021, no Texas (Foto: AFP)
Requerentes de asilo de Honduras esperam em uma estação de ônibus depois que foram liberados das autoridades de imigração dos EUA em 08 de fevereiro de 2021, no Texas (Foto: AFP)

Os demandantes de asilo obrigados a permanecer no México enquanto aguardam a resolução de seu caso nos Estados Unidos começarão a ser admitidos em território americano a partir da próxima semana, anunciou nesta sexta-feira, 12, o governo de Joe Biden.

 

No início de fevereiro, Biden instruiu o Departamento de Segurança Interna (DHS) a adotar ações para acabar com o polêmico programa Protocolos de Proteção ao Migrante (MPP em inglês) instaurado por seu antecessor, Donald Trump.

 

A iniciativa obrigou dezenas de milhares de requerentes de asilo a permanecer na fronteira à espera da resolução de seus casos, o que gerou uma crise humanitária na região, agravada pela pandemia de Covid-19.

 

"A partir de 19 de fevereiro, o DHS vai começar a primeira fase de um programa para restaurar o processamento seguro e ordenado na fronteira", anunciou o Departamento em um comunicado no qual explica que a medida iniciará com pessoas que foram obrigadas a permanecer no México sob o MPP.

 

Para restabelecer o processo de pessoas na fronteira com o México, o DHS vai começar com os casos de quase 25.000 pessoas que, calcula, têm casos ativos no âmbito do programa MPP.

 

A ONG American Immigration Council calcula que de janeiro de 2019, quando o programa começou a ser implementado, a dezembro de 2020 pelo menos 70.000 pessoas foram devolvidas ao México sob os acordos MPP.

 

As autoridades americanas ressaltaram que estão trabalhando de maneira próxima com o governo do México e com organizações internacionais e ONGs na fronteira.

 

Devido à pandemia as pessoas transferidas aos Estados Unidos serão submetidas a testes de coronavírus, explicou uma fonte do DHS, que pediu para não ser identificada.

 

 

O secretário do DHS, Alejandro Mayorkas, o primeiro latino e o primeiro imigrante a comandar o departamento, ressaltou que o governo dos Estados Unidos está comprometido a "reconstruir um sistema de imigração seguro, ordenado e humano".

 

"Esta última ação é outro passo a mais em nosso compromisso para reformar as políticas migratórias que não estão alinhadas com os valores de nosso país", afirmou Mayorkas em um comunicado.

 

O programa polêmico foi parte do plano de Trump para lutar contra a imigração irregular, após as grandes caravanas do fim de 2018 e início de 2019.

 

Trump tratou durante todo seu mandato a luta contra a imigração ilegal como uma das principais marcas de seu governo, o que incluiu seus esforços para construir um muro na fronteira e planos como a política de "tolerância zero" que separou milhares de famílias migrantes.

 

Depois de tomar posse em 20 de janeiro, Biden anunciou que se governo reverteria as medidas mais polêmicas e criou um grupo de trabalho para reunir as famílias que continuam separadas, uma política que chamou de "vergonhosa".

 

Ainda no dia da posse de Biden, o DHS anunciou a suspensão do programa MPP e pediu a todos os inscritos que "permanecessem onde estavam" para aguardar por informações sobre seus casos.

 

O governo americano informou nesta sexta-feira que os que aguardam "não devem tomar nenhuma ação no momento" e serão informados. Também advertiu que "os que não são candidatos para esta fase do programa devem aguardar novas instruções e não viajar à fronteira".