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Política
NOTÍCIA

Desde sua posse, Bolsonaro e aliados atacaram jornalistas mais de 400 vezes, aponta relatório

A ONG internacional Human Rights Watch publicou documento em que avalia gestão do presidente e traz críticas à sua atuação em diversos setores

Gabriela Feitosa
12:05 | 13/01/2021
 Agressões a profissionais da imprensa aconteceram com frequência durante manifestações a favor de Bolsonaro.  (Foto: Marcelo Casal Jr. /Agência Brasil)
Agressões a profissionais da imprensa aconteceram com frequência durante manifestações a favor de Bolsonaro. (Foto: Marcelo Casal Jr. /Agência Brasil)

Desde que tomou posse, o presidente Jair Bolsonaro e seus aliados (autoridades de seu governo e outros políticos da gestão) atacaram jornalistas brasileiros mais de 400 vezes. O dado é do mais recente relatório da ONG internacional de Direitos Humanos Human Rights Watch, publicado nesta quarta-feira, 13.

O documento traz críticas à gestão de Bolsonaro e afirma que ele tentou sabotar medidas de combate à Covid-19. Trouxe também outras informações sobre diversas temáticas, incluindo a de Liberdade de Expressão, e falhas em seu governo:

- em março, o Presidente Bolsonaro suspendeu os prazos para órgãos e entidades do governo federal responderem aos pedidos de acesso informação no contexto do estado de emergência de saúde pública da Covid-19 e impediu que cidadãos recorressem dos pedidos declinados. O Supremo Tribunal Federal suspendeu as restrições instituídas pelo presidente;

- desde que tomou posse, o Presidente Bolsonaro, autoridades de seu governo e outros políticos aliados ao governo proferiram ataques a jornalistas mais de 400 vezes, de acordo com a Artigo 19;

- o presidente ameaçou um jornalista em agosto de 2020, afirmando que queria “encher tua boca de porrada”. Seus apoiadores atacaram repórteres durante manifestações e em frente ao palácio presidencial, o que fez com que diversos veículos de imprensa suspendessem a cobertura nesse local em maio;

- o governo pediu à Polícia Federal que investigasse dois jornalistas e um cartunista por suposta difamação ou calúnia após críticas ao presidente;

- o Ministério da Justiça produziu um relatório confidencial sobre quase 600 policiais e três acadêmicos identificados como “antifascistas”;

- o Supremo Tribunal Federal determinou ao ministério a suspensão da coleta de informações sobre pessoas que exerçam seus direitos à liberdade de expressão e de associação;

- o Senado brasileiro aprovou um projeto de lei sobre “fake news” que ameaça o direito à privacidade e à liberdade de expressão. O projeto tramitava na Câmara dos Deputados até a elaboração do relatório.

O documento, em sua 31ª edição, avalia a situação de direitos humanos em mais de 100 países e Brasil aparece com destaque negativo.

 

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