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Política
NOTÍCIA

Planalto decreta sigilo de até 100 anos a cartão de vacinação de Bolsonaro

Planalto afirmou que os dados "dizem respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem" do presidente e impôs um sigilo de até cem anos ao documento

Gabriela Feitosa
09:48 | 08/01/2021
Qualquer informação sobre as doses de vacinas que o presidente recebeu também está proibida. (Foto: EVARISTO SA / AFP)
Qualquer informação sobre as doses de vacinas que o presidente recebeu também está proibida. (Foto: EVARISTO SA / AFP)

O Palácio do Planalto decretou sigilo de até 100 anos ao cartão de vacinação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a qualquer informação sobre as doses de vacinas que o presidente recebeu.

As informações são do colunista Guilherme Amado, da revista Época, que enviou um pedido à Presidência por meio da Lei de Acesso à Informação sobre o assunto. Em resposta, Planalto afirmou que os dados "dizem respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem" do presidente e impôs um sigilo de até cem anos ao material.

Bolsonaro já atacou diversas vezes as vacinas contra a Covid-19 e declarou que não se imunizará.

No mês passado, esbravejou o seguinte: "Lá no contrato da Pfizer, está bem claro: 'Nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um chimpan..., um jacaré, é problema seu".

Em 13 de maio, os exames de Bolsonaro para Covid-19 só vieram a público porque Ricardo Lewandowski ordenou. O Planalto estava a dois dias de desrespeitar o prazo estipulado pela Câmara para divulgar os documentos.

Ainda em dezembro de 2020, Bolsonaro soltou que "a pressa da vacina não se justifica" e que a pandemia está acabando. "A pandemia, realmente, está chegando ao fim. Temos uma pequena ascensão agora, que chama de pequeno repique que pode acontecer, mas a pressa da vacina não se justifica", disse Bolsonaro, ao afirmar que há uma apreensão injustificada sobre a doença que já matou mais de 200 mil brasileiros. "Você mexe com a vida das pessoas. Vão inocular algo em você. O seu sistema imunológico pode reagir ainda de forma imprevista", comentou.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), até a última quinta, 7, às 19 horas, o Brasil somou 200.498 mortes pela Covid-19. Foram registrados 7.961.673 casos confirmados da infecção. Foram 87.843 novos casos e 1.524 óbitos em decorrência da doença em relação ao dia anterior. O número total de mortos dobrou em cinco meses.

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