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MP diz que esquema de rachadinha aumentou patrimônio de Flávio Bolsonaro em R$ 1 milhão

O valor consta na denúncia apresentada na semana passada ao Órgão Especial do TJ do Rio. A análise dos promotores se concentrou entre os anos de 2010 e 2014 e não inclui a suposta lavagem de dinheiro na loja de chocolate

18:34 | 08/11/2020
Senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (Foto: Pedro França/Agência Senado)
Senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Segundo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o esquema de rachadinha no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aumentou o patrimônio do filho do presidente em quase R$ 1 milhão. As informações são da Folha de S.Paulo.

O valor consta na denúncia apresentada na semana passada ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio de Janeiro. A análise dos promotores se concentrou entre os anos de 2010 e 2014 e não inclui a suposta lavagem de dinheiro na loja de chocolate.

Ministério Público do Rio de Janeiro identificou que Flávio e sua esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, não teriam como explicar gastos que somam R$ 977,6 mil nesses anos. A defesa de Flávio nega acusações e afirma que a denúncia contém "erros matemáticos".

Ainda conforme jornal, a acusação não reúne todas as suspeitas que recaem sobre o senador. A movimentação financeira da loja de chocolate de Flávio ainda está sendo investigada. A Promotoria suspeita que ele tenha lavado até R$ 1,6 milhão através do estabelecimento.

Entenda o caso das rachadinhas

Após mais de dois anos de investigação do Ministério Público do Rio, o senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia se dá no âmbito do Caso Queiroz, como ficou conhecido o processo das "rachadinhas" supostamente praticadas pelo filho do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Além de Flávio, foi denunciado o ex-assessor Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema, e outros 15 ex-assessores. O MP fala ainda em apropriação indébita.

A reportagem ainda apura quais ex-assessores também foram denunciados. Caso a Justiça aceite a denúncia, o filho de Bolsonaro e seus ex-assessores virarão réus. A Promotoria ajuizou a denúncia no dia 19 de outubro, mas, como o desembargador relator estava de férias, a peça só chegou a ele nesta terça-feira, 3.

Queiroz está atualmente em prisão domiciliar. Ele chegou a passar menos de um mês detido em Bangu, na zona oeste do Rio, mas conseguiu ir para casa por meio de habeas corpus. O ex-assessor foi encontrado numa casa de Frederick Wassef, ex-advogado de Flávio, em Atibaia, São Paulo - o que foi considerado, junto com mensagens obtidas pelo MP, provas de que o grupo buscava se esconder das investigações.

Na denúncia apresentada à Justiça, o MP amarra uma série de informações que já haviam sido oferecidas ao longo da investigação. Tudo gira em torno de Flávio Bolsonaro ter supostamente se apropriado do dinheiro público da remuneração de seus assessores e, depois, praticado a lavagem desses recursos por meio da organização criminosa.

O MP apura, desde 2018, o suposto esquema de "rachadinha" no gabinete de Flávio. Assessores repassariam seus salários ao chefe por meio de Queiroz, o operador. Ao longo das apurações, a Promotoria revelou ainda uma série de indícios de que o senador e ex-deputado teria "lavado" dinheiro por meio de imóveis e de uma franquia da rede Kopenhagen.

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