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Campanha eleitoral: mais de 3 mil candidatos doam valor superior ao patrimônio declarado

Embora não seja considerado ilegal, especialistas afirmam que o ato levanta suspeitas sobre as declarações enviadas ao TSE

Ismia Kariny
07:53 | 14/10/2020
A análise considera dados coletados até a terça-feira, 13. (Foto: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ABR)
A análise considera dados coletados até a terça-feira, 13. (Foto: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ABR)

 

Cerca de 3.737 candidatos doaram para a própria campanha valor acima do patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o levantamento realizado pelo G1 junto ao órgão, 97% desses candidatos declaram não ter qualquer patrimônio, apesar de registrarem doações para a própria campanha. A sondagem também mostra que as diferenças entre autodoação e patrimônio chegam a R$ 45 mil. A análise considera dados coletados até a terça-feira, 13.

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Embora não seja considerado ilegal, especialistas afirmam que o ato levanta suspeitas sobre as declarações enviadas ao TSE. De acordo com a assessora jurídica do Tribunal, Lara Ferreira, a resolução nº 23.609 de 2019 do TSE exige uma relação atual de bens no momento do registro de candidaturas. Ela acrescenta que se o candidato tem dinheiro na poupança ou em investimentos, por exemplo, os recursos também devem ser declarados.

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No entanto, incompreensão da norma ou realização de empréstimos para colocar na campanha são possibilidades levantadas pela assessora. O cientista político Bruno Schaefer, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), disse ao G1 que é possível o patrimônio desses candidatos estar no nome de um cônjuge. Outra hipótese é que o candidato tenha deixado de declarar todos os bens ou os declarado em valor abaixo do real.