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Política
NOTÍCIA

Trump e Biden se enfrentam em debate de alta tensão nos EUA

A 35 dias das eleições nos Estados Unidos, milhões de pessoas assistirão ao confronto verbal entre o presidente republicano, de 74 anos, e o ex-vice-presidente democrata, de 77

09:24 | 29/09/2020

O palco do primeiro debate presidencial dos EUA é visto nos bastidores, conforme os trabalhadores completam os retoques finais em 28 de setembro de 2020 em Cleveland, Ohio (Foto: AFP)
O palco do primeiro debate presidencial dos EUA é visto nos bastidores, conforme os trabalhadores completam os retoques finais em 28 de setembro de 2020 em Cleveland, Ohio (Foto: AFP)

Após meses de trocas de acusações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu rival democrata na disputa pela Casa Branca, Joe Biden, enfrentam-se nesta terça-feira, 29, no primeiro debate de uma campanha que ocorre sob alta tensão.

 

A 35 dias das eleições nos Estados Unidos, milhões de pessoas assistirão ao confronto verbal entre o presidente republicano, de 74 anos, e o ex-vice-presidente democrata, de 77.

 

Embora o impacto nas eleições seja limitado, esses encontros marcam o ritmo da campanha desde o primeiro encontro televisionado entre John F. Kennedy e Richard Nixon, há 60 anos.

 

"Estou ansioso pelo debate", disse o presidente às vésperas do encontro que acontece em Cleveland, Ohio, um dos estados considerados "pendulares" - ou seja, mudam sua preferência (republicano, ou democrata) de uma eleição para outra. Em 2016, a vitória foi de Trump.

 

Biden lidera as pesquisas no estado, assim como a média nacional, conforme elaborado pelo site RealClearPolitics, que lhe confere uma vantagem de 49,7% contra os 42,9% do presidente.

 

O embate de uma hora e meia terá início às 21h locais (22h em Brasília) e será moderado pelo jornalista do canal conservador Fox News, Chris Wallace. Devido à pandemia, o tradicional aperto de mãos inicial foi suspenso.

 

Com as eleições se aproximando, Trump teme se tornar o primeiro presidente em 25 anos a não conseguir um segundo mandato, repetindo o feito de seu colega republicano George H. W. Bush, derrotado por Bill Clinton em 1992.

 

A pandemia, que deixou mais de 204.762 mortos no país, a nomeação de uma juíza conservadora para a Suprema Corte, o debate sobre o racismo, o equilíbrio da carreira dos dois candidatos e as dúvidas plantadas por Trump sobre a integridade do eleições são alguns dos temas em jogo.

 

 

E o acréscimo de última hora: revelações do jornal "The New York Times" apontam que Trump pagou apenas US$ 750 em impostos federais em 2016, ano em que ganhou a presidência.

 

A notícia exclusiva do jornal caiu como uma bomba na véspera do debate.

 

A matéria indica ainda que as empresas de Trump sofrem "perdas crônicas", o que pode minar sua imagem como um poderoso empresário.

 

Trump também perdeu seu principal trunfo político nos últimos meses: uma gestão da economia que levou o desemprego ao nível mais baixo em décadas, atingindo 3,5% em fevereiro, mas foi pulverizado pela pandemia que destruiu milhões de empregos.

 

A gestão da emergência sanitária também não lhe é favorável, mas Trump - que foi um apresentador de televisão popular antes de entrar na política - consegue ultrapassar obstáculos com os mesmos artifícios usados para ganhar a eleição em 2016: de surpresa em surpresa e quebrando códigos estabelecidos.

 

Do lado de Biden, os democratas apostam que a experiência do veterano ex-senador lhe dará a vitória em sua terceira tentativa de chegar à Casa Branca.

 

"Calmo, firme, forte, resiliente", diz sua esposa, Jill Biden.

 

 

Nessas eleições, há um número recorde de latinos qualificados para votar, cerca de 32 milhões, o que representa 13,3% do total. A expectativa da diretora de Participação Cívica do Fundo Educacional NALEO, Juliana Cabrales, é, porém, que menos da metade votará.

 

"A pandemia está criando obstáculos para o recenseamento eleitoral", disse Cabrales à AFP, explicando que os registros muitas vezes aconteciam em reuniões e eventos, afetados pelas restrições.

 

Entre os latinos, a vantagem de Biden é clara, com 65% de apoio, contra 36% do presidente republicano.

 

Já na Flórida, um estado importante com 29 votos eleitorais, a liderança do ex-vice-presidente é estreita: 48,7% contra 47,4% de Trump, de acordo com o RealClearPolitics.

 

E, entre os latinos da Flórida, é Trump quem leva vantagem com 50% contra 46% de Biden, devido ao forte apoio dos cubanos, que celebram o discurso anticomunista do presidente, revelou uma pesquisa da rede NBC News.

 

Os outros dois debates presidenciais estão programados para 15 e 22 de outubro em Miami, Flórida, e em Nashville, Tennessee, respectivamente.

 

O vice-presidente Mike Pence se encontrará com a companheira de chapa de Biden, a senadora Kamala Harris, em 7 de outubro, em Salt Lake City, Utah.