PUBLICIDADE
Política
Noticia

Coronel renuncia a cargo por discordar de Bolsonaro: "Falastrão, imaturo, radical, arrivista"

Glauco Carvalho, coronel da reserva da PM de São Paulo, apresentou renúncia como vice-presidente da Associação de Oficiais por discordar da maioria dos demais associados, que apoiam o presidente

18:39 | 08/07/2020
Coronel Glauco é crítico ferrenho de Jair Bolsonaro e da proximidade de militares ao presidente (Foto: Reprodução / Youtube)
Coronel Glauco é crítico ferrenho de Jair Bolsonaro e da proximidade de militares ao presidente (Foto: Reprodução / Youtube)
O coronel da reserva da PM de São Paulo Glauco Carvalho apresentou nesta quarta, 8, sua renúncia ao cargo de vice-presidente da Associação de Oficiais da PM em razão de discordar da maioria dos demais associados, que apoiam o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). A decisão foi tomada após reunião da diretoria, na qual Glauco expôs seus motivos.
 
Em carta entregue aos colegas, ele disse: "É a decisão mais coerente que eu poderia tomar. Se apregoo e defendo a democracia, nada mais justo e lícito que pedir minha saída, uma vez que o eleitorado da Associação de Oficiais é majoritariamente bolsonarista", afirmou.
 
Glauco comandou o policiamento da capital do Estado antes de passar para a reserva. Em janeiro, em entrevista ao Estadão, disse que se sentia envergonhado como militar diante de "tantas ações atabalhoadas, extravagantes, ridículas e mesquinhas" do governo Bolsonaro. Na carta entregue nesta quarta, o coronel volta à carga contra o presidente.
 
"Convivi com um jovem deputado chamado Jair Messias Bolsonaro no inicio dos anos 90. Ele é a antítese do que é um militar na acepção lata da palavra", afirmou.
 
"Como todo espertalhão, prega a ordem, mas descumpriu a ordem estabelecida em normas legais no final dos anos 80. Como todo falastrão, defende o militarismo, mas foi um indisciplinado por excelência. Como todo estelionatário, prega moralismos, mas é useiro e vezeiro em transgredir preceitos éticos públicos. Como todo incauto, despreza e desdenha da doença e da dor alheias. Como todo insensato, cria confusões e disputas em torno de problemas que na realidade não existem. Como todo radical, agride verbalmente e ofende seus adversários. Como todo imaturo, não pode ser contrariado. Como todo estulto, quer valer-se das armas para depor os mecanismos pelos quais ele foi alçado ao poder. Como todo arrivista, quer o poder pelo poder", disse Glauco.
 
O coronel também criticou a aproximação de Bolsonaro com o "Centrão", afirmando que o Planalto hoje "depõe sua confiança em parte do estamento político contra o qual fez toda sua campanha", como Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto. "Suas relações incestuosas com a família Queiroz são o retrato mais aparente da prática delituosa da família Bolsonaro", afirmou Glauco.
 
Segundo ele, a oficialidade cometeu "grave erro, um erro histórico" devido a integrantes que, "por um engodo, tem feito uma opção que julgo não ser a mais adequada". "Temos que analisar o quadro desprovido das lentes da ideologia, que esse governo tanto apregoa. Não podemos agir como torcida organizada. O fim do campeonato nem sempre pode nos ser benéfico".