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Na contramão de Ciro, Cid Gomes é contra impeachment de Bolsonaro

Posição do senador cearense também esbarra em pleito do PDT e de demais partidos da oposição pela deposição do presidente da República

Carlos Holanda
17:02 | 15/06/2020
Opinião de Cid Gomes sobre abertura de impeachment de Jair Bolsonaro é mais alinhada a Camilo Santana do que a Ciro Gomes (Foto: Sandro Valentim)
Opinião de Cid Gomes sobre abertura de impeachment de Jair Bolsonaro é mais alinhada a Camilo Santana do que a Ciro Gomes (Foto: Sandro Valentim)

O senador Cid Gomes (PDT-CE) se colocou contrário à abertura de processo de deposição do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). A posição do cearense vai de encontro aos pleitos do irmão mais velho, Ciro Gomes, e do próprio PDT, ao qual ambos são filiados.

O entendimento do ex-governador do Ceará é de que é recente a redemocratização brasileira, simbolizada pela promulgação da Constituição Federal de 1988. O instrumento de afastar, seja por golpe ou impeachment, sempre foi usado por forças dominantes, segundo ele assinalou.

"Acho que é um instrumento do qual o povo desconfia. (...) Como regra, sou contra o impeachment. Só em caso de absoluta extremidade, tipo ato de desonestidade. Repito, tem coisas (possíveis crimes) que encostam perto dele e começam a justificar (o impedimento)", ele comentou ao portal de notícias UOL.

Mas ponderou: "Acho que, pelo exotismo dele, a democracia tem que pagar." Ele classificou o presidente pelo menos como "despreparado que quer mandar" e "arrogante".

A opinião de Cid esbarra no sentimento das fileiras pedetistas, sobretudo da cúpula do partido, formada pelo irmão Ciro Gomes, o presidente da agremiação Carlos Lupi e pelo deputado federal André Figueiredo (PDT), líder da oposição na Câmara dos Deputados.

A visão de Cid Gomes, por outro lado, é semelhante ao do sucessor dele como governador do Ceará, Camilo Santana (PT). Durante participação no programa "Roda Viva", da TV Cultura, o chefe do Executivo estadual apontou que um impechment seria uma ruptura muito "extrema", reiterando que "remédio para governo ruim é pressão popular".

Mais de 35 pedidos de impeachment já repousam sobre a gaveta do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Se somam a esse esforço, além do PDT, partidos como PT, PCdoB, PSol, PCB, PCO, PSTU e UP, além de entidades da sociedade civil.

Em linhas gerais, os pedidos mais recentes centram-se no alegado cometimento de crimes de responsabilidade pelo presidente na condução da crise do coronavírus.