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Sistema que permite votar punição a André Fernandes passa em comissão e votação é marcada para esta quinta

O parlamentar aguarda o julgamento do processo que estipula suspensão do mandato por 30 dias

Carlos Holanda
20:53 | 20/05/2020
ANDRÉ Fernandes concedeu coletiva na AL-CE para mostrar sua versão das denúncias apresentadas contra Nezinho Farias (Foto: Tatiana Fortes)
ANDRÉ Fernandes concedeu coletiva na AL-CE para mostrar sua versão das denúncias apresentadas contra Nezinho Farias (Foto: Tatiana Fortes)

Foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), nesta quarta-feira, 20, projeto de resolução que adiciona ao Regimento Interno um Sistema de Deliberações Remotas (SDR). O presidente da Casa, José Sarto (PDT), inseriu o sistema na pauta de votações em plenário desta quinta, 21. No aspecto prático, a matéria institui condições jurídicas e tecnológicas para que projetos que demandem votação secreta, por exemplo, possam ser apreciados remotamente, o que é inédito na história do Legislativo. É o caso protagonizado pelo deputado estadual André Fernandes (PSL). 

Jornalistas analisam as denúncias contra deputados no tribunal da Assembleia. Escute:

Listen to "#81 - A quebra de decoro dos deputados no tribunal da Assembleia do Ceará" on Spreaker.

O parlamentar aguarda que o plenário composto por 46 deputados possa decidir se ele será ou não punido, ainda em relação à denúncia vazia apresentada por ele contra Nezinho Farias (PDT) ao Ministério Público, no ano passado, em que atribui vínculo do pedetista com facção criminosa. 

O relatório da deputada Augusta Brito (PCdoB) impõe suspensão de 30 dias ao bolsonarista. É uma sanção intermediária, atrás somente da cassação do mandato. O processo já percorreu todo o trâmite e está nas mãos do presidente da AL, José Sarto (PDT), responsável pela definição da pauta de votações.

Como os deputados estão trabalhando a partir de casa e o processo requer votação secreta, é necessário que a aprovação deste sistema aconteça antes que deputados decidam acompanhar ou não o voto da relatora Augusta, no dia decisivo para Fernandes.

Se o clima na Assembleia já era favorável à punição, o tensionamento em relação ao deputado tem se intensificado ainda mais. A base do governador é composta por 38 deputados. Dos oito opositores, somente Delegado Cavalcante (PSL) é aliado de primeira hora de Fernandes.

Ele possui ainda afinidade com parlamentares do Pros, representado na Casa por Vitor Valim e Soldado Noelio. A legenda, inclusive, entrou com representação no Conselho de Ética contra Osmar Baquit (PDT) e Leonardo Araújo (MDB), também pedindo punição aos deputados, que travaram briga aberta com direito a troca de acusações no plenário da AL em março deste ano.

Por mais que o processo julgue somente o caso envolvendo Nezinho, Fernandes tem usado as redes sociais para fazer novas denúncias, o que já faz com que legendas ensaiem novas representações contra ele. Em razão da acusação a Osmar Baquit, o PDT pedirá a cassação dele em nova investida na Assembleia. Pelas acusações de que o titular da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa-CE), Dr. Cabeto, estaria ordenando que números de mortes pelo novo coronavírus fossem adulterados, o Psol também representará contra Fernandes.

Sem se ater especificamente à situação de Fernandes, Sarto disse que de modo geral o sistema de deliberações vai conferir maior “solidez jurídica" às "sessões que acontecem de maneira virtual.”

Em nota, o líder do Governo na Assembleia, Júlio César Filho (Cidadania), frisou que caberá a Sarto definir quando o caso terá desfecho, mas também disse acreditar "que esse projeto de resolução cria uma maior segurança jurídica para votação não só desse caso mas também de todas as matérias que passam pela casa."

Aliado de Fernandes, o deputado Delegado Cavalcante (PSL) afirma que, na data do julgamento em plenário, quando Fernandes terá outra oportunidade para se defender, um novo fato será apresentado pelos advogados do parlamentar. Ele não entrou em detalhes, mas confirmou que a sustentação da defesa irá no sentido de que o colega foi induzido ao erro por "uma armação" de alguém quando encaminhou a denúncia ao MP.

"Eu tenho convicção de que, pela inexperiência dele, ele foi vítima de uma armação. Não acredito que reverta (tendência de aprovação da punição), mas é o que será defendido."