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Em gesto a Bolsonaro, Maia diz que prioridade da Câmara é votar medidas emergenciais

Foi a primeira manifestação do presidente da Câmara para a imprensa desde o dia 16 de abril. Segundo ele, Legislativo não pode ser vetor de crises com o Executivo

17:28 | 27/04/2020
Rodrigo Maia de máscara durante sessão plenária da Câmara
Rodrigo Maia de máscara durante sessão plenária da Câmara (Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu, nesta segunda-feira, que a agenda prioritária da Casa deve se focar na votação de projetos e medidas emergenciais voltadas para o combate aos impactos econômicos e sociais da pandemia do novo coronavírus. Maia, que não falava com a imprensa desde o dia 16 de abril, disse que passou o período refletindo, e afirmou que não é o momento de polêmicas, que o Parlamento não pode ser um vetor de crises com o Poder Executivo.

"O papel da Câmara nos próximos dias é que a gente volte a debater, de forma específica, a questão do enfrentamento ao coronavírus", disse Maia após ser questionado sobre os pedidos de investigação contra o governo, após a saída do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro.

Maia usou como argumento para defender a votação de projetos relacionados ao coronavírus, as projeções de consultorias econômicas de que os impactos econômicos da pandemia devem gerar uma queda de até 10% do Produto Interno Bruto (PIB, todos os bens e serviços produzidos no país) este ano.

"Isso (a pandemia) vai gerar um aumento do desemprego no Brasil. Já se projeta um aumento da taxa (de desemprego) na ordem de 16%, o que vai significar mais quatro, cinco milhões de desempregados; aumento da economia informal, que vai chegando a 50% dos empregos no nosso no país. São números muito dramáticos em relação a vida, empregos e renda dos brasileiros", disse.

Rodrigo Maia disse ainda que ouviu de especialistas na área de saúde que o número de mortes causadas pelo coronavírus deve aumentar nos próximos dias. Segundo o deputado, a Câmara deve focar em debater o envio de recursos para estados e municípios aumentarem o número de leitos de UTI e citou a situação dos estados do Amapá, Pará, Pernambuco e São Paulo.

"É fundamental que isso )a votação) avance rápido para que a gente não tenha um colapso no sistema de saúde. Devemos voltar para a agenda que eu acredito que é a agenda que preocupa todos os brasileiros. Não que os outros temas não possam existir, mas como eu disse, a gente precisa ter paciência para ouvir, refletir e analisar tudo aquilo que os parlamentares e a sociedade encaminham", defendeu.

Inquéritos sobre Bolsonaro e Moro

O presidente da Câmara evitou falar sobre os pedidos de aberturas de comissões parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar as acusações do ex-ministro da Justiça de que o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) queria usar politicamente a Polícia Federal, e disse que o custo do aumento na crise política seria a aceleração nos indicadores de desemprego e do PIB.

"Ela (crise política) impacta fortemente a confiança dos atores econômicos e dos que financiam a dívida brasileira. É legitimo a sociedade e parlamentares, parte deles tentarem repercutir CPIs e outros instrumentos, mas acho que a Câmara deve, sobre a minha presidência, respeitando a posição de outros parlamentares, ter a paciência e o equilíbrio para tratar do que é mais importante a vida dos brasileiros e a renda", afirmou.

Ao comentar a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, Maia disse que era um "problema" do Executivo. "Nomear e exonerar é problema do governo. Se tem problemas na forma de nomear, você tem uma investigação proposta pelo (procurador-geral da República, Augusto) Aras", disse Maia.

Pedidos de impeachment

Questionado sobre o aumento no número de pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, Mais disse que não poderia comentar por ser o "juiz" que vai decidir sobre a questão.

"Quando se trata de um tema sobre o impeachment, eu sou o juiz. Não posso ficar comentado temas em que a decisão é minha, de forma independente. Então, é uma questão que a gente tem de tomar muito cuidado".

 

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