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Política
NOTÍCIA

O que se sabe sobre a "colaboração proibida" entre Moro e Dallagnol

Conversas foram registradas em grupos e janelas privadas no Telegram

13:42 | 10/06/2019
DELTAN DALLAGNOL teria recebido orientação de Moro
DELTAN DALLAGNOL teria recebido orientação de Moro(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasi)

Conversas entre o então juiz federal Sergio Moro e o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, foram divulgadas pelo portal The Intercept Brasil nesse domingo, 9. Na troca de mensagens, Moro chega a consultar o procurador sobre a investigação do caso do triplex do Guarujá (SP), que resultaria na prisão de Lula. Os arquivos foram revelados em três reportagens e um editorial do The Intercept, separando as conversas em fases diferentes.

O POVO Online elenca os assuntos tocados na conversa pelo aplicativo Telegram. Os trechos foram transcritos pelo portal seguindo a construção original.

A entrevista de Lula

Preso na sede da Polícia Federal desde 2018, Lula foi autorizado a dar entrevista por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria gerado clima de revolta entre os procuradores, segundo o Intercept.

A mensagem de uma pessoa identificada apenas como Carol PGR de forma privada para Dallagnol diz: "Ando muito preocupada com uma possível volta do PT, mas tenho rezado muito para Deus iluminar nossa população para que um milagre nos salve".

"Pode eleger Haddad"

A procuradora Laura Tessler chegou a dizer no grupo de procuradores da Lava Jato que uma coletiva antes do segundo turno poderia eleger Fernando Haddad (PT), que assumiu a liderança da chapa após a impossibilidade de Lula. Para diminuir o impacto da entrevista, procuradores ventilaram medidas como uma exclusiva para a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, ou uma entrevista coletiva.

Deltan Dallagnol tinha "receio"

Em setembro de 2016, dias antes da denúncia contra Lula ser apresentada, Deltan Dallagnol assumiu "receio" quanto à acusação sobre o triplex do Guarujá. Restava dúvida na relação do triplex do Guarujá enquanto propina para o ex-presidente nos casos de corrupção da Petrobras.

"Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre Petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua", escreveu o procurador.

Power point

A matéria "Caso Bancoop: triplex do casal Lula está atrasado" publicada pelo O Globo em 10 de setembro de 2010 projetava de que forma o imóvel poderia atrapalhar Luiz Inácio Lula da Silva. Dallagnol buscou o contato da repórter para transformar a informação em depoimento.

"Vcs não têm mais a mesma preocupacção que tinham quanto ao imóvel, certo? Pergunto pq estou achando top e não estou com aquela preocupação", escreveu o procurador no grupo Incendiários ROJ. "Acho que o slide do apto tem que ser didático tb. Imagino o mesmo do lula, balões ao redor do balão central, ou seja, evidências ao redor da hipótese de que ele era o dono".

"Líder máximo"

Em uma conversa com Sergio Moro, em janela privada, Dallagnol diz que se refere a Lula como "líder máximo" do esquema de corrupção para relacionar o ex-presidente aos R$ 87 milhões de propina pagos pela OAS.

Influência na investigação

Também em 2016, Moro chegou a sugerir inverter a ordem do que o Ministério Público havia planejado inicialmente. Antes, havia questionado a Dallagnol por que o Ministério Público Federal recorreu da condenação de três pessoas, classificando o recurso como "obscuro".

O grampo de Lula e Dilma

Em março de 2016, Moro derrubou sigilo e divulgou grampo de ligação entre Lula e Dilma. Em uma conversa privada, Dallagnol e Moro tratam a abertura do conteúdo como estratégia. "A liberação dos grampos foi um ato de defesa. Analisar coisas com hindsight privilege é fácil, mas ainda assim não entendo que tivéssemos outra opção, sob pena de abrir margem para ataques que estavam sendo tentados de todo jeito", escreveu o procurador. Moro respondeu: "Nao me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim".

 Redação O POVO Online