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Política
NO CHILE

Bolsonaro compara crise com Maia a namoro em que a companheira quer ir embora e pede diálogo

Presidente disse que está aberto ao diálogo com o presidente da Câmara dos Deputados

18:12 | 22/03/2019
No fim de semana, Maia recebeu Bolsonaro em sua casa para almoço
No fim de semana, Maia recebeu Bolsonaro em sua casa para almoço(Foto: Dida Sampaio/AE)

Em meio a mais recente crise no Governo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) comparou nesta sexta-feira, 22, no Chile, a relação com Rodrigo Maia (DEM) a relacionamento em que a namorada quer ir embora e é preciso conversar para ela voltar. O presidente da Câmara dos Deputados disse que pretende sair das articulações para aprovar a Reforma da Previdência.

O deputado federal teria ficado irritado com a pressão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, para dar celeridade ao Pacote Anticrime no parlamento. O estopim da crise seria críticas publicadas em redes sociais por Carlos Bolsonaro (PSC) em meio ao episódio entre o ministro e o presidente da Câmara. 

"Queria saber o motivo pelo qual o Rodrigo Maia está saindo, estou aberto a diálogo, qual o motivo? Eu não dei motivo para ele sair", disse Bolsonaro. Ele ainda completou: "Só conversando. Você nunca teve uma namorada? E quando ela quis ir embora o que você fez para ela voltar, não conversou? Estou à disposição para conversar com o Rodrigo Maia, sem problema nenhum", afirmou em Santiago, no Chile, onde participa de reunião com líderes sul-americanos.

Entenda a crise

O impasse entre membros do Executivo e do Legislativo começou depois que Moro cobrou Maia na madrugada de quarta-feira, 20, sobre a tramitação do Pacote Anticrime, apresentado pelo ministro em meados de fevereiro. As mensagens enviadas pelo ex-juiz teriam causado insatisfação ao deputado, que reagiu.

À imprensa, Maia disse que o ministro é funcionário de Bolsonaro, pediu respeito e afirmou ainda que Moro estaria “confundindo as bolas”. Usando redes sociais da esposa, o ministro apresentou uma tréplica à discussão. Afirmou que a única intenção é de que o projeto tenha tramitação regular.

“Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais. Essas questões sempre foram tratadas com respeito e cordialidade com o Presidente da Câmara, e espero que o mesmo possa ocorrer com o projeto e com quem o propôs. Não por questões pessoais, mas por respeito ao cargo e ao amplo desejo do povo brasileiro de viver em um país menos corrupto e mais seguro”, disse o ministro.

Ainda nesta sexta-feira, 22, aliados de Bolsonaro tentaram amenizar a tensão com Maia. No Twitter, Joice Hasselmann (PSL) exaltou a posição do presidente da Câmara. "Maia é um dos que mais tem trabalhado para aprovação e logo pelo principal plano do governo. Na prática, sem Maia, a coisa não vai e o Brasil empaca. Simples assim", disse.

Quem também teceu elogios ao político foi o outro filho de Bolsonaro, Flávio (PSL). "Presidente da Câmara é fundamental na articulação para aprovar a Nova Previdência e projetos de combate ao crime. Assim como nós, está engajado em fazer o Brasil dar certo", apontou.

Zero dois

Em meio à tensão já instalada, Carlos Bolsonaro colocou mais lenha na fogueira ao criticar Maia nas redes sociais na última quinta-feira, 21. O filho “zero dois” de Bolsonaro escreveu no Twitter: "Há algo bem errado que não está certo!". A mensagem veio seguida da nota de Moro. No Instagram, Carlos questionou: "Por que o presidente da Câmara está tão nervoso?"

Conforme reportagem do Estadão, ao ver as mensagens, Maia “explodiu” e telefonou para Paulo Guedes, ministro da Economia, avisando que deixará a articulação política para aprovar a Reforma da Previdência. A conversa teria sido ouvida por integrantes do Centrão.

Em outras situações, tanto Maia quanto outros políticos que se dispuseram a ajudar na aprovação da Reforma se mostraram insatisfeitos com a desarticulação do Governo Federal com a proposta. No caso do presidente da Câmara, soma-se ainda à pressão contra ele nas redes sociais arquitetada por integrantes do Executivo.

“Eu estou aqui para ajudar, mas o governo não quer ajuda”, disse o presidente da Câmara, segundo deputados que estavam ao seu lado no momento do telefonema. “Eu sou a boa política, e não a velha política. Mas se acham que sou a velha, estou fora”, teria dito Maia, segundo informações do Estadão.

Igor Cavalcante