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Estilo de Bolsonaro preocupa segurança

21:06 | 24/02/2019
Auxiliares de Jair Bolsonaro estão pedindo à exaustão que ele "reavalie" seu comportamento. A preocupação, segundo eles, é com o que consideram "excesso de informalidade" do presidente e com questões de segurança. Nos últimos dias, Bolsonaro indicou que vai usar apenas o telefone criptografado cedido pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para conversar com alguns ministros.
No entanto, ao ocupar nos primeiros dias de janeiro o gabinete do terceiro andar do Palácio do Planalto, Bolsonaro não aceitou o telefone criptografado entregue pelo GSI. Quando tentou usar o aparelho, percebeu que o modelo só permitia ligações para quem tinha um outro igual.
Depois que um áudio de uma conversa com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi ouvido por um jornalista por "acidente", segundo o Planalto, assessores só falam em "aperfeiçoar o sistema de comunicação".
Questionada sobre medidas de segurança, a assessoria do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) respondeu: "Informamos que a vulnerabilidade será apurada e corrigida. Por motivos óbvios, não é o caso de divulgar as medidas que serão tomadas e a rotina de comunicação do Presidente da República e demais autoridades".
Mas o presidente ainda reluta em deixar as redes sociais. Há poucas semanas, Bolsonaro assinou decreto que passava a movimentação de suas contas no Twitter e no Facebook para uma Assessoria Especial do palácio.
O grupo, como mostrou o jornal "O Estado de S. Paulo", era formado por indicados de seu filho Carlos Bolsonaro, que, na campanha, foi o responsável pela área digital e, agora, exerce influência na Secretaria de Comunicação, dirigida pelo publicitário Floriano Gonçalves, homem de confiança da família Bolsonaro.
Interceptações e revelações de conversas telefônicas são temores do governo. As primeiras crises do mandato de Bolsonaro ocorreram após divulgação de mensagens do presidente. A equipe do general Augusto Heleno Ribeiro, chefe do GSI, pouco poderia fazer, observaram assessores do Planalto. Foi Carlos que divulgou áudio da conversa do pai com o então ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno. Depois, o próprio Bebianno, já exonerado do cargo, teria deixado vazar diálogos com o presidente.
O esforço de tentar "moldar" o presidente põe em confronto assessores que conhecem a estrutura do Planalto e a família Bolsonaro. O que é "defeito" para os conhecedores da vida do palácio é "compromisso de campanha" para o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho mais novo do presidente.
"Os áudios vazados só comprovaram que @jairbolsonaro é o mesmo em público e na vida particular", disse Carlos na manhã da sexta-feira passada no Twitter. "Na questão da relação com os filhos, depois do episódio Bebianno, o presidente parece começar a entender esse problema", afirmou um assessor.
Segurança
Embora seja oriundo do Exército e tenha redobrado o cuidado com a proteção pessoal após o atentado que sofreu durante a campanha eleitoral em Juiz de Fora, Minas Gerais, o presidente Jair Bolsonaro não suportou muitos dias o ostensivo sistema de segurança ao chegar a Brasília.
Ainda durante o governo de transição, mandou dispensar os batedores da Polícia Militar que abriam o trânsito para a comitiva oficial e diminuir o número de agentes da Polícia Federal na sua escolta. Assim que assumiu o poder, a guarda dele, por uma norma antiga, passou para o GSI, sendo feita por militares do Exército.
Um amigo do presidente disse à reportagem que a equipe de segurança não esconde preocupação quando Bolsonaro para na portaria do Alvorada para cumprimentar simpatizantes ou, ao entrar ou sair do carro, nos aeroportos, quer dar a mão para os batedores ou o "cara do tratorzinho do avião". "Ele está tentando manter a autenticidade dele", avaliou esse amigo. "Vai acabar entendendo que terá de chegar a um meio-termo, mas não vai ser amarrado."
As quebras de protocolo na Presidência, comuns nos governos de Itamar Franco e, principalmente, de Luiz Inácio Lula da Silva, foram interpretadas - até por aliados de Bolsonaro - como quebras da "liturgia do cargo", termo usado por José Sarney para se referir às regras do cerimonial e do comportamento de um presidente.
Chinelo e camiseta
Na semana passada, auxiliares do presidente aconselharam Bolsonaro a evitar, por exemplo, o uso de chinelo e camisa de futebol em cerimônia oficial - o presidente vestiu uma camisa do Palmeiras no evento de apresentação da reforma da Previdência -, a abandonar de vez o Twitter e a separar questões familiares de assuntos de governo.
A avaliação é de que Jair Bolsonaro "é um presidente que insiste em não se adaptar à estrutura do palácio" - batizada por políticos e jornalistas, ainda nos anos 1970, como uma "máquina de fazer presidentes".
Segundo um auxiliar do governo, Bolsonaro sempre dizia que, no dia em que virasse presidente, não "ia deixar de ser o Jair". "Não vou deixar de comer meu cachorro-quente na esquina ou uma esfirra no bar ou ir à agencia bancária", teria afirmado. "Ele sabe que muitas coisas vão mudar, mas não a simplicidade dele."
Sem poder controlar a divulgação de conversas particulares, auxiliares de Bolsonaro tentam conter o que consideram "excesso de informalidade" nas mensagens. Palavrões, disseram, lembram os tempos de Lula. Já irritação remete aos ex-presidentes Fernando Collor e a Dilma Rousseff.

Agência Estado

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