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Defesa de Flávio mostra datas de transações bancárias diferentes das expostas pelo Coaf

Flávio defende que depósitos referentes à venda de imóvel aconteceu entre março e agosto de 2017. No entanto, consta no relatório do Coaf que os depósitos foram feitos em junho e julho de 2017

09:58 | 22/01/2019
O documento que, segundo Flávio Bolsonaro, justificaria movimentações suspeitas na sua conta mostra incompatibilidade entre a data de pagamento contida no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a defendida por ele. De acordo com o senador eleito, os 48 depósitos de R$ 2 mil direcionados a ele, teriam sido feitos em uma operação imobiliária com o ex-atleta Fábio Guerra.
  
A escritura apresentada por Flávio diz que a transação, referente à venda de uma cobertura no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, aconteceu entre março e agosto de 2017. No entanto, consta no relatório do Coaf que os depósitos foram feitos em junho e julho de 2017.
  
O documento, ao qual o jornal O Globo teve acesso, diz que o negócio foi fechado por R$ 2,4 milhões. Além da permuta de imóveis entre Flávio e Fábio, R$ 600 mil foram pagos em dinheiro pelo ex-atleta.
 [SAIBAMAIS] 
Segundo defesa de Flávio, R$ 550 mil foram um sinal pago no dia 24 de março de 2017. Além disso, ele menciona o pagamento de R$ 50 mil em cinco cheques, na ocasião da escritura, finalizada no 10º Ofício de Notas em 23 de agosto de 2017. Ela não descreve pagamento em espécie ou outras datas de quitação de valores devidos, além de março e agosto.
  
Fábio Guerra afirmou ao O Globo que parte dos R$ 600 mil foi paga em dinheiro vivo, em "dois ou três meses". Ele diz não ter recibos das transações.
  
“O imóvel foi R$ 2,4 milhões, o (apartamento) que era dele aqui (a cobertura de Laranjeiras comprada por Guerra). Eu dei o meu lá (na Urca). Está tudo na escritura por R$ 1,5 milhão. Dei uma sala comercial de R$ 300 mil, R$ 50 mil em cheque e R$ 550 mil foi feito em depósito, e cerca de R$ 100 mil em dinheiro, que não foi feito (o pagamento) de uma vez só — contou Guerra. — Eu dei assim em dois ou três meses. Não dei R$ 100 mil de uma vez só não, entendeu? Eu vendi um imóvel no passado para poder pagar ele. Eu peguei parte em dinheiro (da venda) também e dei para ele”, afirma.
  
Flávio fala sobre movimentações financeiras atípicas em suas contas
Em entrevista à TV Record, o primogênito de Jair Bolsonaro disse que R$ 2 mil é o valor máximo aceito no caixa eletrônico. No entanto, grande parte dos depósitos foi realizada em horário de expediente bancário. Dessa forma, o dinheiro poderia ter sido depositado de uma única vez na boca do caixa e não de maneira fracionada. Apesar da dúvida que surgiu após sua fala, ele não foi questionado sobre a questão.
 
Na entrevista, o senador eleito disse que não lhe foi dada a oportunidade de esclarecer as movimentações atípicas às autoridades competentes antes que a investigação fosse aberta. "Tem que mostrar as atrocidades que fizeram comigo. Quebraram meu sigilo bancário. Por que essa perseguição comigo?", questionou. Flávio foi convidado a depor no dia 10 de janeiro, mas não compareceu ao MP-RJ com a justificativa que queria ter acesso primeiro aos autos do processo. 

Redação O POVO Online

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