Termo de Uso Política de Privacidade Política de Cookies Conheça O POVO Trabalhe Conosco Fale com a gente Assine Ombudsman
Participamos do

"Afinal, o que querem as mulheres?"

14:46 | Set. 28, 2018
Autor O Povo
Foto do autor
O Povo Jornal
Ver perfil do autor
Tipo Notícia
O psicanalista Sigmund Freud fez a pergunta e morreu sem responder. De lá para cá, algumas vezes, a provocação é feita quando o interlocutor tem em mente a ideia de que as mulheres não sabem o que querem e, por isso, é que andam quilômetros de shoppings para encontrar uma nova peça de roupa. Percorrem o dobro para dar de cara com aquele sapato. Se é bolsa, então..., pode demorar dias. Sem contar o tempo buscando ideias de looks perfeitos em tutoriais do youtube e dicas no instagram. Encontrar um cabeleireiro pode ser outra complicação, porque o que está em questão não é apenas a tesoura, é o jeito de cortar os fios, a conversa de antes. A segurança. Se for um carro, anda em todas as concessionárias e ainda pesquisa na internet. Adora a casa arrumada, mas não fecha as portas do armário da cozinha, deixa a cama uma bagunça dia sim dia não. O dinheiro pode até estar curto, mas nunca para as flores do jarro da mesa de jantar nem para o ghee.
 

Você vai ficar espantado, mas tudo isso ocorre justamente porque sabemos exatamente o que não queremos. Toda essa arrumação chama-se dúvida, mas dúvida de mulher. Tenho uma amiga que decidiu ensinar a filha a escolher a roupa que ia usar ao sair. Colocava a menina em frente ao armário e perguntava: "Como você quer estar hoje, Melissa?". A menina olhava, escolhia as combinações mais esdrúxulas. O pai horrorizado reclamava como iam sair com a menina vestida daquele jeito. Minha amiga se pôs firme. "Ela está aprendendo, amor. Deixa". Melissa tinha três anos. Um dia perguntei para minha amiga se ela queria que a filha não tivesse dúvidas. Ela explicou que não. O exercício era para que a filha tivesse as dúvidas certas.
 

Como eu ia dizendo, nós sabemos o que não queremos. Se Freud tivesse observado mais de perto, de forma mais cautelosa, teria percebido. A questão toda é que foi preciso muito, muito tempo até que começássemos a responder nós mesmas as perguntas que nos fazem. E a nos fazer ouvidas quando nos perguntam algo. Porque não raro, os homens perguntam e eles mesmos respondem ou fingem responder. E algumas de nós, às vezes, se acostumam com essas respostas masculinas e prontas.
 

E é justamente por sabermos o que não queremos que muitos se assustam com o movimento #EleNão. As pesquisas indicam que há uma fatia gorda de eleitoras que ainda não escolheram seu candidato a presidente da República. Mas já sabemos quem não vamos escolher. Este é um passo definitivo.
 
Regina Ribeiro
Jornalista 

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags