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Política
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Cabo Daciolo: quem é o candidato a presidente que chamou atenção no debate e é investigado no STF

Mesmo com denúncia de peculato praticado durante o exercício do mandato como deputado federal, Cabo Daciolo concorre à Presidência enquanto investigação corre no STF

19:31 | 10/08/2018
Pouco conhecido, Cabo Daciolo foi destaque do debate na Band entre os internautas nas redes sociais (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)
A grande surpresa do primeiro debate para candidatos à Presidência foi o Cabo Daciolo (Patriotas). Rosto novo, anunciado de última hora pelo seu partido,  Daciolo foi acusado de peculato pelo Ministério Público Federal (MPF), em dezembro de 2017, e processo segue em andamento. À época, ele cumpria o primeiro mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro,
 
O candidato do Patriotas é investigado por se apropriar de parte do salário de seus assessores parlamentares para reverter a verba para Associação dos Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro (Abmerj) e o Movimento S.O.S Bombeiros.
  
Enquanto disputa a Presidência, o pastor evangélico e ex-bombeiro líder de movimentos grevistas teve seu processo no Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogado por mais 60 dias no último dia 15 de junho, após pedido da Polícia Federal (PF).
  
O pedido de investigação foi feito ao STF em dezembro de 2017 e o ministro Marco Aurélio é o relator do caso. Segundo reportagem da revista Época, Daciolo cobrava cota de 10% dos funcionários de gabinete. À Justiça, Cabo Daciolo afirmou que é inocente.
Segundo os altos, existem indícios de que o deputado desviaria a verba, estimada em mais de R$ 227 mil entre 2015 e 2016, por meio de empresa de consultoria em informação e tecnologia.
  
Após a denúncia, o deputado falou ao portal Gospel Prime que a acusação é feita por "pessoa que sempre recebeu seu salário corretamente". Daciolo ainda creditou os ataques à sua posição de expor o "crime organizado" no Congresso Nacional.
 
Justiça Militar
Após ficar notabilizado por organizar a greve dos bombeiros do Rio de Janeiro em 2011 - em que chegou a ser preso por nove dias - e estar presente na greve dos bombeiros e Polícia Militar (PM) do estado da Bahia, em 2012, Daciolo entrou na mira da Justiça Militar.
(Foto: Reprodução / Bandeirantes)
  
Após responder processo disciplinar, já que militares não têm direito à greve, Daciolo recebeu anistia com base na Lei 13.293/2016, que prevê artigo que exime de crime militares que "participam de movimentos reivindicatórios por melhorias de vencimentos e condições de trabalho".
  
Porém, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu prosseguimento das ações imputando ao militar crimes como roubo, dano, estelionato e peculato por equiparação em função da malversação ou dilapidação do patrimônio da Aspra-BA. Os crimes teriam ocorrido no período da greve da PM e do Corpo de Bombeiros da Bahia, segundo informou o jornal Folha de S. Paulo.
  
Como tinha prerrogativa de foro, Daciolo teve o processo desmembrado dos outros 11 réus, que foram denunciados pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Salvador. O parlamentar, investigado na Ação Penal 927, pediu a extinção do processo e foi atendido pela Primeira Turma do STF, em dezembro do ano passado.
  
(Foto: Reprodução / Twitter)
 
Perfil
Nascido em Florianópolis-SC e criado no Rio de Janeiro, Cabo Daciolo  já foi vereador da capital carioca e em 2014 foi eleito deputado pelo Psol. Da chapa foi expulso após incompatibilidades e uma grande polêmica: propor a "PEC dos Apóstolos", que sugeriu alterar parágrafo da Carta Magna substituindo trecho "todo o poder emana do povo", como é atualmente, por "todo o poder emana de Deus". 
  
O partido justificou a expulsão afirmando que vai contra a concepção de defesa do Estado laico. Na Câmara já fez discursos/pregações em que expulsava o demônio da Casa Legislativa. "Satanás, tu perdeste esta batalha! Saia do Congresso Nacional e saia da nação brasileira, em nome do Senhor Jesus Cristo", berrou.
 
 
  
Além desse episódio, Daciolo já fez oração no centro do plenário e gravou em vídeo. Como parlamentar propôs o projeto de lei pedindo a instituição da Semana Nacional de Adoração a Deus, entre os dias 1º a 7 de janeiro.
  
Além de Psol, o deputado passou por Avante e chegou ao Patriotas neste ano para ocupar a vaga de Jair Bolsonaro (PSL) após o capitão da reserva desistir de disputar a eleição pelo partido.
  
Se colocando como diferente do candidato do PSL, Cabo Daciolo fez declaração inusitada em entrevista à revista Época. “Para o Bolsonaro, bandido bom é bandido morto. Para mim, bandido bom é bandido lavado e remido no sangue do Senhor Jesus”.
  
A principal inspiração na política para Daciolo é Éneas Carneiro. Ele chegou a mencionar o falecido candidato à Presidência nos anos 1990, em fala durante debate da Band.
  
 
  
Cabo Daciolo ficou marcado pelas suas considerações finais no debate. Na fala, o candidato do Patriotas leu a bíblia e deu fim a noite em que marcou de vez seu nome na memória dos eleitores de forma irreversível na tv aberta em debate 

SAMUEL PIMENTEL